Chuva bloqueia estradas do litoral e deixa 1,2 mil famílias desabrigadas

Sabesp cortou fornecimento de água em Peruíbe, Itanhaém e Mongaguá; Padre Manuel da Nóbrega ficou 11 h fechada

Rejane Lima e Zuleide de Barros, PERUÍBE, O Estadao de S.Paulo

14 de janeiro de 2008 | 00h00

Fortes chuvas provocaram ontem o bloqueio de estradas e deixaram 1.200 famílias desabrigadas no litoral sul. Principal acesso da região, a Rodovia Padre Manuel da Nóbrega ficou fechada por 11 horas entre Peruíbe, cidade mais castigada pelo mau tempo, e Itariri. Em razão das chuvas, a Sabesp cortou o fornecimento de água em Peruíbe, Itanhaém e Mongaguá. A empresa apelou à população que economize água e informou que o abastecimento será parcialmente restabelecido hoje.A chuva também castigou o interior. Em São José dos Campos, foi encontrado ontem o corpo da dona de casa Maria do Rosário Silva, de 85 anos, que morreu afogada após ser levada pela enxurrada. A Defesa Civil não informou sobre outras vítimas, mas o pescador de Peruíbe José Rodrigues, de 48 anos, está desaparecido. Destroços de seu barco foram localizados na praia.No litoral sul, choveu sem parar da tarde de sábado até a madrugada de domingo. Às 2 horas, deslizamentos bloquearam as pistas da Manuel da Nóbrega no km 354. O tráfego teve de ser desviado por dentro de Peruíbe até 13h10, quando a estrada foi liberada. No fim da tarde, a situação do trânsito na rodovia e no Sistema Anchieta-Imigrantes era considerada boa.Em Peruíbe, a prefeitura decretou estado de calamidade pública em virtude dos alagamentos em bairros humildes, como Caraguava, Guaraú, Jardins das Flores, Veneza, Itatins e Vila Erminda. Os desalojados foram para o Centro de Convenções e o Centro Comunitário do Caraguava. Segundo a Defesa Civil, além das 1.200 famílias desabrigadas, cerca de 25 mil pessoas sofreram com algum dano provocado pela chuva.Ontem foi a terceira vez que o estudante Alef Cruz, prestes a fazer 14 anos, viu sua casa alagada. "Essa chuva acontece de sete em sete anos. Eu mesmo nasci num dia de enchente", disse, conformado. Morador do Caraguava, ele passou a noite no abrigo. "Minha mãe acabou de me ligar, ela foi lá ver como estava e disse que a água ainda não baixou. Não deu para salvar nada. A gente tinha guarda-roupa e armário de cozinha novinhos."Outros 800 desabrigados permaneceram no Centro de Convenções ontem, como a doméstica Jocelina de França, de 51 anos, que esperava roupas doadas para ela, o marido, e os três filhos, de 7, 10 e 12 anos. "Eu fiquei tão desesperada, porque a água começou a subir depressa, que saí correndo e não peguei nem meus documentos."A auxiliar de limpeza Luzia dos Santos, de 58 anos, disse que estava apenas passando a temporada na casa em que já morou, em Peruíbe. "Agora eu moro na Mooca e vim aqui para tentar vender a minha casinha e comprar uma lá na periferia." Otimista, Luzia acredita que a água vai baixar logo para vender a residência, por R$ 20 mil. "As pessoas compram assim mesmo, estão acostumadas às enchentes."De acordo com o meteorologista Celso Vernizzi, que mora em Peruíbe, choveu mais de 200 milímetros das 17 horas de sábado às 2 de domingo. "Há mais de 15 anos não havia uma chuva destas." Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a chuva foi provocada por uma área de instabilidade associada ao calor e à umidade. COLABORARAM JOSÉ MARIA TOMAZELA E JOÃO CARLOS FARIA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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