Chuva castiga Ouro Preto e outras 52 cidades mineiras e mata 6 pessoas

Uma das vítimas foi um taxista que morreu soterrado; MG também tem cidades alagadas e desabrigados

Marcelo Portela , O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2012 | 23h43

BELO HORIZONTE - O ano começou de forma trágica em Minas por causa das chuvas fortes que atingem o Estado desde o fim de 2011. Seis pessoas morreram e 52 municípios, além da capital, já decretaram situação de emergência desde outubro. As duas últimas mortes foram confirmadas ontem pelos bombeiros. Uma delas em Ouro Preto, na região central, e outra em Guidoval, na Zona da Mata. Ainda há três desaparecidos.

Em Ouro Preto, cidade tombada como patrimônio mundial, um taxista morreu dentro de um táxi estacionado na rodoviária. O prédio desabou no início da madrugada de ontem, após ser atingido por um deslizamento de terra do Morro do Piolho. Outro carro estava estacionado na rodoviária e 60 homens que trabalhavam nos escombros tentam confirmar se há mais vítimas no local.

Além da rodoviária, o deslizamento de terra também atingiu parte de uma residência. Segundo a prefeitura, cerca de 40 casas estão ameaçadas e aproximadamente 350 pessoas tiveram de deixar suas casas. Na cidade histórica ainda há residências ameaçadas por pelo menos oito pontos que oferecem risco de novos deslizamentos de terra.

Zona da Mata. A situação mais crítica, porém, é a da Zona da Mata, onde fortes tempestades castigaram os municípios de Raul Soares, Congonhas, Guiricema, Ubá, Guidoval, Dona Euzébia, Cipotânea e Matipó. Todos foram atingidos por inundações e deslizamentos de encostas e os três primeiros já decretaram situação de emergência. A principal via para a Zona da Mata, a BR-040, perto de Congonhas e Conselheiro Lafaiete, foi liberada ontem após 18 horas de interdição, mas, segundo a Polícia Rodoviária Federal, ainda há vários trechos danificados.

Apesar de não ter oficializado o decreto, Guidoval, que tem população de pouco mais de 7 mil habitantes, está em situação precária, com quase toda a cidade submersa. A rede de telefonia também foi afetada e o município está praticamente sem comunicação. A maior parte da população já foi retirada e encaminhada para municípios vizinhos, principalmente Ubá.

Parte das vítimas foi resgatada de helicóptero, mas um homem não conseguiu sair de casa e morreu afogado. Por causa do volume de água, até a noite de ontem bombeiros não haviam conseguido resgatar o corpo.

Auxílio. A Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) já distribuiu mais de 70 toneladas de alimentos às vítimas, além de colchões, roupas, cobertores, telhas, lonas e kits de limpeza e higiene pessoal. Segundo o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), ainda não é possível definir quanto será necessário para restaurar os estragos.

"Quantas pontes caíram, quantas serão restabelecidas, quantas casas são inaproveitáveis. Isso não é feito agora. Será feito em momento posterior para identificarmos os danos. Daí teremos recursos do Estado e federais. O objetivo (agora) é ficarmos alertas nas áreas de risco. A prioridade do governo é evitar perda de vidas."

De férias em Salvador, a presidente Dilma Rousseff telefonou ontem para Anastasia para oferecer ajuda humanitária e financeira, além de apoio de órgãos federais para "o que for necessário".

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