Chuva como a que atingiu o Rio só ocorre a cada 350 anos, diz Inea

Temporal foi totalmente atípico e teve volume maior que o divulgado, afirma presidente do órgão

Felipe Werneck, O Estado de S. Paulo

19 de janeiro de 2011 | 19h38

RIO - A presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Marilene Ramos, afirmou hoje que dados de estações pluviométricas do órgão ambiental indicam que chuvas com a intensidade da semana passada têm probabilidade de ocorrer a cada 350 anos. Segundo ela, o temporal na região serrana do Rio foi totalmente atípico e resultados de estações do Inea contrariam dados fornecidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O volume foi maior que o divulgado, afirmou Marilene. A direção do Inmet não foi localizada para comentar.

 

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De acordo com a Marilene, os dados do Inmet relativos a Teresópolis - que indicaram precipitação de 124,6 milímetros num período de 24 horas (a partir de zero hora do dia 11) - foram baseados na estação localizada em área distante do núcleo de maior intensidade de chuva no município.

 

Em Friburgo, onde o Inmet registrou 182,8 milímetros, o resultado está mais próximo dos dados coletados pelas estações do Inea. "Se avaliarmos o volume de precipitação no período de 24 horas a partir de 20 horas do dia 11, nossas estações situadas no núcleo da chuva apontam 249 e 297 milímetros", declarou Marinele.

 

"Não temos condições de afirmar que foram as mais fortes chuvas já registradas na Serra. Mas, com certeza, pelas características dos deslizamentos e escorregamentos verificados, podemos afirmar que estes níveis de precipitação são os que foram verificados nas regiões atingidas de Teresópolis, Nova Friburgo e no Vale do Cuiabá, em Petrópolis", acrescentou a secretária.

 

Alerta. Marilene também disse que o sistema de alerta de Nova Friburgo é composto por cinco estações pluviométricas e hidrológicas (que apontam o nível dos rios). A sexta estação foi perdida durante a tempestade. O sistema dispara mensagens SMS de celular em três níveis: atenção, alerta e alerta máximo. O primeiro alerta, no dia 11, foi expedido às 18h30, ainda em nível de atenção, e o alerta máximo foi divulgado por volta de 00h45 do dia 12. De acordo com a secretária, os alertas foram recebidos pela Defesa Civil de Nova Friburgo.

 

Segundo Marilene, o sistema de alerta foi implantado em 2008 e abrange, além de Nova Friburgo, Macaé e a Baixada Fluminense, com previsão de extensão para Petrópolis e Teresópolis. Atualmente, o sistema funciona com base em dados de satélite fornecidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e, segundo ela, ganhará em eficiência com a entrada em funcionamento dos dois radares meteorológicos que serão adquiridos com recursos do Banco Mundial, no primeiro semestre deste ano. A previsão é que os radares, que custarão US$ 5 milhões, já estejam em funcionamento no próximo verão.

 

Ainda de acordo com a Marilene, informações divulgadas sobre mapeamento de áreas de risco são insuficientes e não retratam a realidade. O secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, informou que há um plano, em parceria com o Ministério da Integração Nacional, para dotar os municípios de Planos de Contingência e de Emergência que incluam exercícios para a população. Segundo Minc, a Defesa Civil dos municípios, de maneira geral, prioriza e realiza com mais eficiência as ações de salvamento, mas precisa ser capacitada para a prevenção e planejamento das ações de emergência.

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