Chuva de granizo causa estragos no interior de SP

No Vale do Paraíba, uma mulher morreu e casas ficaram sem luz

Mônica Cardoso, Tatiana Fávaro e João Carlos de Faria, O Estadao de S.Paulo

30 Julho 2009 | 00h00

Chuvas de granizo atingiram diversas cidades do Estado de São Paulo entre terça-feira e a madrugada de ontem, causando estragos, principalmente no interior. Em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, o temporal de granizo que caiu na terça-feira furou o telhado de 30 casas. Dez bairros ficaram sem energia elétrica por três horas. No distrito de Eugênio de Melo, as ruas ficaram forradas por pedras de gelo. Em Taubaté, na mesma região, a chuva não causou grandes estragos, apesar da intensidade e da grande quantidade de granizo, mas uma mulher morreu ao ser atingida por um raio pouco antes da tempestade, por volta das 16 horas. A dona de casa Luci Junqueira havia saído para visitar uma vizinha e decidiu voltar para casa por causa dos trovões, mas foi atingida no peito e jogada no chão. Ela estava com um bebê que foi arremessado de seus braços e sofreu queimaduras. Os dois foram socorridos pela Polícia Militar, mas a mulher chegou morta ao pronto socorro local. Em Atibaia, as pedras de gelo que caíram por volta das 6 horas de ontem danificaram a cobertura de cerca de 50 casas do bairro do Tanque, mas ninguém ficou ferido. As telhas com espessura de 5 a 10 milímetros foram perfuradas. "Moradores que tinham condições compraram novas telhas, e disponibilizamos 1,5 mil metros de lona para cobrir as casas", disse o coordenador da Defesa Civil na cidade, Maurício Benevides. Em Campinas, a chuva começou por volta das 11 horas e durou dez minutos. Sete árvores caíram, duas sobre veículos. O Corpo de Bombeiros foi acionado para ajudar um motorista a sair do carro no bairro Bonfim. GELO NA MARGINAL Na capital, o temporal com intensidade entre moderada e forte caiu durante a madrugada, por volta das 3h30, sobre vários bairros. Viaturas da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) se deslocaram para a Marginal do Tietê, próximo da Ponte do Jaguaré, e para a Avenida 23 de Maio, na região central, depois que motoristas relataram o acúmulo de gelo na pista. Nenhum acidente foi registrado. "O choque entre a frente fria que está no litoral e o ar quente no norte do Estado favorece a formação de nuvens carregadas, chamada cumulus nimbus, mais comuns no verão", explica o meteorologista Marcelo Pinheiro, da Climatempo. "Estamos com uma tendência ao fenômeno El Niño, caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, com chuvas volumosas no Sul do País e secas intensas no Nordeste." A chuva não deu trégua aos paulistanos nos últimos sete dias. O mês de julho, tipicamente de clima seco, é o mais chuvoso em 66 anos, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). "No ano passado, não registramos nem uma gota de chuva em julho. Neste ano, ao contrário, já choveu 170 milímetros, quatro vezes acima da média, de 40 milímetros", compara o meteorologista. Com os temporais de ontem, a capital registrou pontos de alagamentos em todas as regiões, todos transitáveis segundo o Centro de Gerenciamento de Emergência (CGE).

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