Alex Sandro Borges/Arquivo pessoal
Alex Sandro Borges/Arquivo pessoal

Chuva de granizo e geada em pleno verão marcam entrada do ano na Serra de SC

Produtores de maçãs de Santa Catarina tiveram prejuízos; pelo menos seis casas ficaram danificadas com impacto das pedras de gelo

Schirlei Alves, especial para o Estadão

03 de janeiro de 2021 | 16h27

FLORIANÓPOLIS - Uma forte chuva de granizo cobriu de gelo estradas e plantações em Bom Retiro, na Serra de Santa Catarina, no sábado, 2. Cerca de 20 minutos de chuva intensa bastaram para tomar a superfície com pedras miúdas de gelo. 

Funcionário de um posto de combustível às margens da BR-282, na localidade de Santa Clara, a poucos quilômetros de Bom Retiro, Fernando Popeng foi surpreendido por motoristas amontoando os veículos embaixo da cobertura em busca de abrigo.

A chuva repentina não só pegou os viajantes de surpresa como também assustou pela intensidade e quantidade de pedras de gelo. “Para quem veio passear até pode parecer bonito, mas para nós que somos moradores e agricultores teve prejuízo”, lamentou Popeng.

A Defesa Civil Estadual soltou um comunicado às 8h10 de sábado alertando sobre a possibilidade de granizo na região. O órgão confirmou que houve prejuízo em plantações e danos parciais em pelo menos seis residências. Ninguém ficou ferido.  

Frio e formação de geada na serra catarinense

Mas os moradores da serra catarinense não foram surpreendidos apenas pela chuva repentina de granizo. Eles acordaram em pleno verão com temperaturas baixas e formação de geada nas primeiras horas do segundo dia do ano. Embora estejam acostumados ao frio e à geada, essa foi um tanto atípica pela época em que ocorreu.

“A geada e a queda de granizo são eventos distintos. A geada se forma no solo, quando as temperaturas em superfície atingem o ponto de congelamento. Ao contrário do granizo, este é um fenômeno que ocorre com maior frequência nos meses mais frios, e são pontuais os eventos observados durante o verão”, destacou o coordenador de monitoramento da Defesa Civil, Frederico Ruthorff.

Este foi o segundo ano consecutivo com formação de geada nos primeiros dias de janeiro. As temperaturas mais baixas registradas pelas estações meteorológicas locais foram em Bom Jardim da Serra — com 3,6 °C, e em São Joaquim — com 4,8 °C. 

Segundo o engenheiro agrônomo Ronaldo Coutinho da Climaterra — agência que monitora a meteorologia local — tanto a chuva de granizo quanto a geada foram decorrentes de uma massa de ar seca com origem fria. Ele ressalta que este verão tem registrado temperaturas mais amenas em todo o estado e que não houve nenhuma onda prolongada de calor. Embora a chuva de granizo seja comum nessa época do ano, a que ocorreu no sábado foi um tanto diferente.

“Essa chuva de granizo mais ampla e intensa, com pedras de gelo fininhas parecendo neve é incomum. Campos inteiros ficaram brancos. A temperatura da atmosfera estava mais baixa do que o normal e coincidiu a formação da massa de ar mais fria com a formação de nuvem para trovoada”, explicou Coutinho.

De acordo com a Defesa Civil, os temporais devem retornar de forma mais generalizada a partir de terça-feira, 5, por causa da formação de uma região de baixa pressão. As temperaturas devem subir em relação ao fim de semana, mas continuam baixas nas primeiras horas do amanhecer nas regiões mais altas. A possibilidade de nova formação de geada existe, mas é pequena. /COLABOROU FÁBIO BISPO, ESPECIAL PARA O ESTADÃO

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