Chuva deixa carros e trem ilhados e provoca queda de muro em Congonhas

Zonas leste e sul e ABC foram as regiões mais afetadas; capital registrou 46 pontos de alagamento à noite

William Glauber, O Estadao de S.Paulo

22 de fevereiro de 2008 | 00h00

Fortes chuvas castigaram as zonas leste e sul da capital e o ABC paulista no início da noite de ontem, por cerca de duas horas. Entre São Paulo e São Caetano do Sul, choveu 81,3 milímetros, equivalentes a quase 40% do volume de água esperado para todo o mês de fevereiro na capital - 217 mm. São Paulo registrou 56 pontos de alagamento e, até as 23h30, 15 deles permaneciam intransitáveis, acumulando congestionamento de 94 quilômetros à noite. Até o início da madrugada, o trânsito lento se arrastava por vias da zona sul de São Paulo e os efeitos do congestionamento eram sentidos na região do ABC. Carros ficaram ilhados em Moema, na zona sul, e na Avenida Paes de Barros, na Vila Prudente. Passageiros de um trem da CPTM permaneceram em meio à água por mais de 5 horas. Um muro de contenção do Aeroporto de Congonhas, na zona sul, caiu.Todas as regiões da capital, com exceção da zona oeste, entraram em estado de atenção. Entre 18 e 22 horas, o Corpo de Bombeiros da capital atendeu a 52 chamados em decorrência da chuva, como isolamento em carro, casas, trem, principalmente no Ipiranga, Sacomã, Vila Prudente. Nessa região, cortada pelos trilhos da Linha D (Luz-Rio Grande da Serra) da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM), uma composição lotada ficou isolada a partir das 19 horas entre as Estações Ipiranga e Tamanduateí.A assistente de atendimento Carolina de Almeida Campos, de 24 anos, que mora em Santo André e trabalha na zona norte, disse que esperou por resgate até as 23 horas. "Os bombeiros começaram a resgatar as pessoas em botes, mas só cabem três por vez. Vai quem está passando mal", contou Carolina. "No meu vagão, tem uns dez idosos, e muitos ficaram em pé", reclamou. Os bombeiros enviaram duas equipes para o local para realizar o resgate. Até meia-noite, Carolina continuava ilhada no vagão da CPTM.Motoristas que voltavam para casa ontem também ficaram ilhados, em seus carros. À noite, o principal ponto de alagamento intransitável estava na Avenida do Estado, com o transbordamento do Rio Tamanduateí na altura da Praça Alberto Lion, próximo ao Mercado Municipal. A Avenida Aricanduva com a Avenida Itaquera, na zona leste, e a Rua das Juntas Provisórias, na zona sul, também permaneciam sob as águas à noite. A Avenida 23 de Maio apresentou o maior engarrafamento da capital, com 8,7 km entre a Praça da Bandeira e o Viaduto João Julião da Costa Aguiar, no sentido zona sul. A Rodovia Anchieta foi interditadas às 19 horas entre os quilômetros 10 e 14, nos dois sentidos entre São Bernardo do Campo e São Paulo, segundo a Ecovias, empresa que administra o Sistema Anchieta-Imigrantes. O engenheiro Wagner Varela, de 46 anos, levou 5 horas para cumprir o percurso de seu trabalho, em São Bernardo, à sua casa, em São Caetano. "A Anchieta ficou toda parada. Fiquei duas horas somente na pista da rodovia. Procuro uma ponte que dê para atravessar e chegar", disse Varela, que mora no Jardim Santa Paula. Em São Caetano do Sul, o Ribeirão dos Meninos e o Rio Tamanduateí transbordaram e inundaram os bairros Fundação, São José e Prosperidade. Segundo a Defesa Civil do município, não há registro de vítimas em decorrência das enchentes, mas há registro de moradores ilhados em suas casas à espera de a água baixar. O Esporte Clube São Caetano, no Fundação, foi tomado pelas águas por volta de 19h30. "Em menos de 20 minutos, estacionamento, campo, prédio foram inundados e água passou de 2 metros", conta o empresário Luiz Paulo Ferreira, de 46 anos, que perdeu um Audi A3.No Aeroporto de Congonhas, trecho de cerca de 50 metros do muro de arrimo do aeroporto caiu na Avenida dos Bandeirantes.

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