Chuva desaloja 4 mil em 56 cidades de SC; rio sobe e ameaça Blumenau

Governador avaliava decretar situação de emergência no Estado; Rio do Sul, localidade mais atingida, foi inundada pelo Rio Itajaí-Açu, que ultrapassou em 10 metros o nível normal

Tomás M. Petersen - ESPECIAL PARA O ESTADO,

22 Setembro 2013 | 12h12

Atualizado às 23h55

FLORIANÓPOLIS - Santa Catarina passou o fim de semana em estado de alerta por causa das chuvas. A cidade mais prejudicada foi Rio do Sul, por causa da cheia do Rio Itajaí-Açu, que ultrapassou 10 metros o nível normal. A localidade decretou situação de emergência. No balanço divulgado ontem à noite pela Defesa Civil, ao menos 4 mil pessoas estavam desabrigadas ou desalojadas em 56 cidades do Estado.

Com previsão de mais chuvas para esta madrugada, o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), avaliava ontem se decretaria situação de emergência no Estado. "Ainda não é possível saber os reflexos (de mais chuvas), porque estamos no meio do evento."

A prefeitura de Itajaí suspendeu as aulas na rede municipal hoje. A princípio, amanhã as atividades devem ser retomadas.

Ao todo, quatro municípios, além de Rio do Sul, estavam ontem em situação de emergência: Saltinho, São José dos Cedros e Santa Terezinha do Progresso, no extremo oeste, por causa dos prejuízos causados pelo granizo; e Benedito Novo, na região do Vale do Itajaí, por causa da cheia do rio. O município de Ascurra também deve decretar emergência.

Em Rio do Sul, a cidade mais prejudicada, 1,5 mil pessoas estavam, até ontem, desalojadas e 480, desabrigadas. A Rodovia SC-350, que leva ao município, foi interditada. O comerciante Dirceu Masson, de 39 anos, conta que na tarde de ontem o alagamento estava a 400 metros de sua padaria. "Desde sábado, começamos a retirar as mercadorias da loja para evitar perdas. A água está chegando aqui." Para ele, com o trauma das últimas chuvas, a população aprendeu a se preparar.

Uma das principais dificuldades na cidade é o alagamento de várias ruas no acesso entre as regiões norte e sul. A prefeitura diz que, prevendo o isolamento de algumas áreas, já havia estocado nos abrigos cerca de 4 toneladas de alimentos e produtos como gás e fraldas. "O município está dividido ao meio. Então, precisamos ter fornecedores dos dois lados, como postos de gasolina e atendimento médico", diz o secretário de Administração, Givanildo Silva. Um obstáculo logístico é o fato de o hospital ficar na região sul - hoje, a prefeitura pretende usar um helicóptero para transferir os pacientes mais graves.

De acordo com Silva, não há racionamento de água, mas alguns bairros poderão ter a energia cortada.

Blumenau. Com um histórico de tragédias climáticas com enchentes e deslizamentos, Blumenau começou a se preparar durante a semana. Foram preparados 30 abrigos, e a Defesa Civil da cidade mapeou as áreas com risco de deslizamentos e monitorou de hora em hora o nível do Rio Itajaí-Açu.

Na medição das 20h, a cheia alcançou mais de 10 metros acima do normal e causou alagamentos em algumas ruas. A previsão era de que o pico não ultrapasse 11 metros. Houve um deslizamento durante a madrugada, mas sem feridos, e 89 pessoas ficaram desabrigadas.

"Estamos muito apreensivos. Não sabemos qual o volume que o rio vai atingir. Abrimos o mercado hoje (ontem), mas vamos retirar os produtos à noite", contou a comerciante Marta Scottini, de 59 anos. Segundo ela, com 13 metros acima do normal, a água invade o seu estabelecimento. Em 2011, ela escapou do prejuízo por 70 centímetros. "A Defesa Civil está fazendo um bom trabalho de informação aos cidadãos."

A Defesa monitora três barragens no Vale do Itajaí. A de Ituporanga ficou com duas comportas fechadas e três abertas, mas no início da tarde ela transbordou. As de Taió e José Boiteux estão com todas as comportas fechadas. / COLABOROU LUCIANO BOTTINI FILHO

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