Chuva destrói centenas de casas em Salvador; MA tem saques

500 famílias estão desabrigadas na capital baiana, e cerca de 200 casas podem ser condenadas na cidade

Eliana Lima e Wilson Lima, Agência Estado

10 de maio de 2009 | 17h47

O final de semana foi de muita chuva e destruição em Salvador. Números da Secretaria Municipal do Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão (Setad) mostram que chega a 500 o número de famílias desabrigadas. Em um único bairro, Paripe, no subúrbio ferroviário, um dos mais atingidos, 50 casas desabaram num período de 24 horas - desde as primeiras horas de sábado, 9, até a madrugada de domingo, 10. Os imóveis, localizados na Rua de Deus, caíram em efeito dominó. Outras 50 estão condenadas pela Defesa Civil, no mesmo local, sob a iminência de ruir, chamando a atenção das autoridades municipais.

 

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Embora não tenham sido registradas vítimas fatais, as perdas materiais para as famílias foram totais. Os técnicos da prefeitura acreditam, porém, que pode chegar a 200 o número de casas condenadas caso a chuva persista. Dados das duas estações meteorológicas instaladas pela Defesa Civil atestam a intensidade da chuva. Em apenas 10 dias de maio o índice pluviométrico ultrapassou o previsto para todo o mês, em algumas áreas da cidade. Em Ilha Amarela, por exemplo, os índices pluviométricos alcançaram 400,6mm, quando o normal esperado para os 30 dias é de 349,5mm.

 

A explicação para a tragédia vivida pelos moradores pobres de Paripe está no próprio solo, de massapê, que se expande com a absorção da água. Uma faixa de terra de cerca de 500 metros de extensão por 1.200 de largura deslizou, destruindo ainda todo o sistema de esgotamento sanitário, derrubando poste de eletricidade, comprometendo o abastecimento de água e o fornecimento de energia elétrica.

Neste domingo, embora a chuva tenha diminuído de intensidade, chegando a ocorrer tímidas aberturas de sol pela manhã, as solicitações de ajuda registradas pela Defesa Civil se mantiveram. Até o meio-dia, somavam 83 notificações, 50 delas referentes a deslizamentos de terra.

 

Maranhão

 

A elevação cada vez maior do nível dos rios em diversas cidades do Maranhão trouxe um problema de segurança pública. Bandidos aproveitam o abandono de centenas de residências e comércios para roubar telhas, tijolos, portas e janelas. Por isso, muitos moradores das cidades alagadas, mesmo isolados, evitam sair de suas casas. Essa situação é mais visível em cidades como Trizidela do Vale, Pedreiras e Bacabal, as mais atingidas pelas chuvas.

 

Depois que Trizidela do Vale ficou 90% inundada, a vida do marceneiro Clemildo de Oliveira de Sousa, de 25 anos, mudou completamente. A água na sua residência está a uma altura de 1,3 metro. Mesmo assim, ele ainda não procurou um abrigo. Móveis e eletrodomésticos estão sobre apoios e para dormir, ele ergueu uma rede sobre as águas. "Para sair de casa, uso uma canoa. E minha esposa, que está em um abrigo, traz a minha comida. Muitas casas estão sendo invadidas e eu não quero ser outra vítima dos saques", afirmou o marceneiro. Normalmente os saques às residências abandonadas acontecem à noite.

 

A Polícia Militar da cidade de Trizidela do Vale admite o problema e tem intensificado as rondas. 40 homens, em lanchas e barcos, realizam rondas ostensivas no local. "Mas, não é uma tarefa fácil. Os bandidos aproveitam sempre quando não estamos próximos", analisa o comandante da 14ª Companhia de Polícia do Maranhão, José Maria Honório.

 

Pelos dados da Defesa Civil Estadual do Estado, já existem 65 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas, e 196 mil atingidos. Ainda conforme a Defesa Civil, as chuvas deixaram 72 cidades em situação de emergência. Isso representa 1/3 do estado. Neste domingo, 30 homens do Corpo de Bombeiros de São Paulo desembarcaram no Maranhão para dar assistência às vítimas. Além deles, outros 30 do Corpo de Bombeiros do Maranhão foram encaminhados às cidades mais atingidas pelas chuvas.

 

Estrada

 

A Polícia Rodoviária Federal no Maranhão recomenda calma aos motoristas que precisem passar pela BR-316 entre os municípios de Alto Alegre e Peritoró, a cerca de 250 quilômetros de São Luís. A pista, que chegou a ser completamente interditada depois que uma ponte foi derrubada pela chuva no sábado, estava reaberta para o fluxo de veículos em apenas uma pista. A via é o principal acesso dos Estados do Nordeste à capital maranhense. A passagem dos veículos pelo local ocorre de forma lenta e a espera pode chegar a duas horas.

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