Chuva deve continuar até sexta-feira em Santa Catarina

No fim de semana, chuva deve parar e a previsão é de sol e calor em todo o Estado

Fabiana Marchezi, do estadao.com.br, e Rodrigo Pereira, de O Estado de S. Paulo,

26 de novembro de 2008 | 10h04

Até o fim de semana a chuva deve parar e o sol e o calor voltam a Santa Catarina. A previsão é do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de SC (Ciram). No entanto, o tempo continua instável em todo o Estado até a próxima sexta-feira, 28. Entre esta quarta-feira, 26, e a sexta, o volume de chuva não deve passar de 35 milímetros. "Teremos cada vez mais períodos de sol", afirmou Marcelo Martins, meteorologista do Ciram.     Veja também: Seis cidades decretam estado de calamidade Lula sobrevoa áreas atingidas nesta quarta Temporão anuncia R$ 100 milhões para medida de socorro BRs-376 e 101 são parcialmente liberadas População pode consumir água de piscinas Cerca de 80 mil imóveis continuam sem luz Banco do Brasil anuncia ajuda a clientes de Santa Catarina Força Nacional de Segurança segue nesta tarde para SC Defesa Civil abre conta para doações Tragédia em Santa Catarina  Veja galeria de fotos dos estragos em SC   Número de vítimas deve subir  Para governador, será preciso muito recurso  Morador de Blumenau relata a situação        As fortes chuvas dos últimos dias foram causadas pela combinação atípica de fenômenos meteorológicos, impossíveis de ser quantificados pelos atuais sistemas de medição. O quadro foi agravado pela situação de bloqueio atmosférico, que impediu mudanças climáticas em todo o hemisfério sul e fez com que os temporais caíssem por quatro dias ininterruptos em Santa Catarina.   "O caso de Santa Catarina não tem registro no passado. Prevíamos uma situação extrema com três dias de antecedência, mas esses valores máximos nos surpreenderam", avaliou Maria Assunção Dias, coordenadora do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).   O Ciram, que é ligado ao governo estadual, emitiu comunicado no dia 17 de novembro à Defesa Civil Nacional e Estadual, alertando para a possibilidade de alagamentos e deslizamentos - reforçados nos dias subseqüentes. "Nós estávamos prevendo chuva de 100 milímetros por dia, o que é muita coisa, mas chegou a 300 milímetros. O tempo para as autoridades tomadoras de decisão acabou ficando muito curto", disse Marilene de Lima, meteorologista do Ciram.   Maria Assunção, do Inpe, explicou que o primeiro fator das chuvas no norte catarinense foram os anticiclones formados pelo sistema de alta pressão estacionado no litoral. A posição desses anticiclones (ciclones que giram no sentido horário) provocou ventos úmidos e quentes em direção ao continente. Ao se deparar com a serra catarinense, essa massa de ar começa a formar as nuvens.   Águas estão mais quentes   Segundo Morgana Almeida, do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), as águas do oceano próximas do litoral catarinense estão 1ºC mais quentes que no ano passado. "E essas águas da superfície oceânica contribuíram para mais chuvas."   Outro causador de chuvas atuou simultaneamente no Vale do Itajaí, conhecido na meteorologia por "vórtices ciclônicos". Eles foram originados de uma massa de baixa pressão atmosférica de aproximadamente 500 quilômetros de diâmetro e a 5 quilômetros de altura na porção central e leste do continente catarinense. Girando no sentido anti-horário, esses vórtices "sugam" o ar úmido do continente para "preencher" ou "compensar" o ar rarefeito da massa de baixa pressão. Como se encontra entre 15º C e 20º C mais fria que o ar "sugado", a massa de baixa pressão potencializa o efeito da chuva, causando os temporais.   "Os casos extremos são esses em que acontece uma conjunção de fatores que normalmente ocorrem sozinhos", definiu Maria Assunção. O estopim da catástrofe, segundo os especialistas, foi o fato de esse quadro, que normalmente provocaria grandes danos se fosse apenas passageiro, ter perdurado por pelo menos quatro dias em função do bloqueio atmosférico.   Segundo Maria Assunção, esse bloqueio é comum no verão e o atual englobou todo o hemisfério sul, provocando chuvas torrenciais na Indonésia e no Oceano Pacífico, seca no Nordeste e chuvas no sul da Bahia e norte do Espírito Santo. A coordenadora do CPTEC disse que só na terça os vórtices começaram a se dissipar, amenizando o quadro crítico de Santa Catarina - as chuvas torrenciais cessaram, mas persiste a previsão de chuva até sexta.

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