Chuva faz Defesa Civil retirar famílias de Pantanal Paulista

A Defesa Civil está retirando famílias que moram na região do Pantanal Paulista, em Castilho (SP), às margens do rio Paraná, na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul. Além de enfrentar as inundações causadas pelas chuvas e elevação do nível do rio, que causou a contaminação da água, os moradores também fogem dos ataques de animais selvagens, como jacarés e cobras. Para fugir do alagamento dos varjões, os bichos procuram abrigo e comida nos quintais das casas e ranchos de pesca da região. Nesta semana, os moradores no bairro Beira Rio mataram uma cobra sucuri de três metros, que estava enrolada numa galinha e também um jacaré que tentava comer porcos no chiqueiro de uma das propriedades. O pescador Wilson Cantilho, 41, foi mordido por um jacaré quando fugia da enchente. Ele e a mulher saíam do rancho Garça, onde moram há 31 anos, e tentavam passar por um alagamento na estrada, quando foram atacados pelo bicho. "A gente achava que era um pedaço de pau", disse. "Sem querer pisei nele e ele mordeu meu dedão do pé direito". Ele contou que, ao ser mordido, largou a bicicleta ainda caiu sobre o animal, que acabou fugindo. "Levamos um susto danado". A Prefeitura de Castilho pede aos moradores para não matar os animais e chamar a Polícia Ambiental. "Mas isso é difícil porque assim que ele vê uma cobra, por exemplo, ele mata, não dá para evitar", diz Youssef Zar, secretário de Saúde e membro da Defesa Civil de Castilho. Segundo ele, é normal os animais saírem para as casas em épocas de chuvas. O pescador Orlando Santana diz que os moradores estão encontrando muitos filhotes de jacarés e cobras, especialmente jararacas e sucuris. Os fazendeiros da região também fazem operações de resgate para retirar o gado que ficou ilhado pelas enchentes. Na fazenda Saudades, na divisa com o Pantanal Paulista, os peões trabalharam debaixo de chuva nesta quarta-feira tocando cabeças de bois que tiveram de nadar longas distâncias nas lagoas que se formaram nas áreas de várzeas. As chuvas que caíram na região e em Minas Gerais -levadas pelo Rio Grande- elevaram o nível do rio Paraná em 14 centímetros, o que obrigou Cesp a abrir as comportas das usinas de Jupiá e Sérgio Motta, despejando o máximo da capacidade de vazão da usina de Jupiá, de 16 mil metros cúbicos de água por segundo, mas mesmo assim o nível quase atingiu o limite máximo do reservatório, de 280 metros acima do nível do mar. Nesta quinta-feira, a vazão estava em 15,8 mil metros cúbicos por segundo. Parte das 74 famílias que moram no bairro Beira Rio estão sendo retiradas pela Defesa Civil. Sete delas foram para casa de parentes e outras 13 estão sendo notificadas para deixar a região. A Prefeitura preparou um plano de emergência com lanchas, tratores e caminhões para retirar os moradores se as chuvas continuarem. As inundações são as maiores em 20 anos e os índices pluviométricos também bateram recorde desde que começaram a ser medidos pela estação meteorológica da Unesp. Ao mesmo tempo, a Defesa Civil está entregando água potável e cloro, pois as chuvas inundaram as fossas sépticas e os poços usados para retirar água potável aumentando os riscos de contaminação dos moradores. Muitos deles estão se recusando a deixar as casas, mas se as chuvas persistirem, não haverá outra saída.

Agencia Estado,

01 Fevereiro 2007 | 20h10

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