Chuva forte esfria o público da posse

Sem empurra-empurra, população conseguiu chegar perto das grades de segurança, saudar a nova presidente e se despedir de Lula

Leandro Colon, Renato Andrade, Marta Salomon e Rafael Moraes Moura, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2011 | 00h00

"Vim me despedir do Lula e ver a Dilma. Eles são queridos." A frase da aposentada Jovina Soares, 70 anos, simboliza o clima na chuvosa Esplanada dos Ministérios durante a posse de Dilma Rousseff. Ela deixou Cuiabá no dia 29 e viajou 12 horas de ônibus para fincar pé na Praça dos Três Poderes e acompanhar de perto a cerimônia em Brasília.

Jovina juntou-se a cerca de 30 mil pessoas - segundo cálculos da Polícia Militar - que, assim como ela, tomaram conta da capital federal para ver a nova presidente de perto e, ao mesmo tempo, despedir-se de Lula.

Bandeiras homenageavam Dilma, Lula e o PT. Faixas exaltavam movimentos gays e atacavam inclusive a imprensa. "Olha que lindo, ele veio buscar ela", gritou uma militante ao ver Lula recebendo sua sucessora na rampa do Palácio do Planalto. Não houve empurra-empurra, confusão, tampouco lances muito emotivos nas ruas. A frieza da militância misturava-se à temperatura baixa e ao clima chuvoso da tarde de ontem em Brasília.

O cerimonial do Palácio do Planalto conseguiu diminuir ainda mais o ânimo dos militantes que esperavam se despedir de Lula logo após o discurso de Dilma no Parlatório. Isso porque o intervalo de 45 minutos para a presidente receber os cumprimentos de chefes de Estado esvaziou a Praça dos Três Poderes. Só depois Lula desceu a rampa do Planalto e foi cumprimentar as pessoas que o esperavam nas grades.

Tranquilidade. Quem foi para a Esplanada logo cedo não precisou se espremer para ver o desfile de Dilma ao lado da filha, Paula, no Rolls-Royce presidencial. Todos conseguiram um lugar cativo na grade. De 20 a 30 bandeiras do PT enfeitavam o caminho. "O clima é de tranquilidade", afirmou o major Luis Marcelo, que cuidou da operação da Polícia Militar na região.

O cenário foi bem diferente daquele de 2003, na primeira posse de Lula, quando cerca de 150 mil pessoas acompanharam a festa em Brasília. "Em 2003, vendi R$ 3 mil em sorvete, agora não devo chegar a R$ 500", lamentou o sorveteiro Luis Sales, 56 anos.

Por conta da forte chuva que caiu no início da tarde, Dilma foi obrigada a fazer o trajeto até o Congresso Nacional com a capota do Rolls-Royce fechada. Ao passar pelo Ministério da Saúde, quando a chuva engrossou, ela correu e sofreu um pouco para fechar o vidro do carro. Parte da militância, frustrada por não ter visto Dilma em carro aberto, correu então para a Praça dos Três Poderes.

Petistas de caravanas de Tocantins, Paraná, Mato Grosso, São Paulo, entre outros Estados, viajaram até Brasília para assistir à cerimônia. "Vim na posse do Lula, e agora da Dilma. Torço pelo governo. Agora, a posse do Lula foi incomparável, ele é um fenômeno", disse uma militante do PT de Curitiba, que não quis se identificar. "É tudo muito bonito, a chuva veio lavar a alma", comemorava Rose de Lourdes, 60 anos, moradora do Distrito Federal.

No fim da festa, tímidas bandeiras do PMDB misturaram-se às do PT na Praça dos Três Poderes. O ex-presidente, enfim, apareceu e foi para os braços do povo do outro lado da rua. Enquanto a multidão cantarolava na praça o bordão "Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula", um militante do PT lamentava o fim da era Lula. "Ah, ele volta", afirmou um amigo.

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