Chuva já deixa 65 mortos em SC e prejudica 1,5 milhão de pessoas

Estado vive pior tragédia climática e União vai editar MP; em Blumenau, choveu 8 vezes a média histórica

Júlio Castro, Vitor Hugo Brandalise e Agência RBS, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2008 | 00h00

Durante o dia de ontem, os números da tragédia em Santa Catarina não pararam de subir. Em 24 horas, as mortes em decorrência da chuva aumentaram em mais de 200% e o número de desabrigados e desalojados ficou 175% maior. Até as 23 horas, a Defesa Civil Estadual confirmava 65 mortos, cerca de 30 desaparecidos, 8 cidades isoladas e 44.151 pessoas sem casas. Ao todo, 44 municípios do Estado enfrentaram problemas de alagamento ou deslizamento e a estimativa é de que 1,5 milhão de pessoas tenham sido afetadas pelo excesso de chuva, entre desabrigados, ilhados, vítimas de falta d?água, luz, gás ou mesmo condução. Siga online as notícias sobre as vítimas das chuvas no País Ouça entrevista com vítimas e com o governador de SCOs prefeitos de Gaspar, Rio dos Cedros, Nova Trento e Camboriú decretaram estado de calamidade pública. Autoridades de Brusque, Ilhota e Tijucas já sinalizaram que vão seguir a mesma determinação. O prefeito de Blumenau, João Paulo Kleinübing, definiu já na noite de domingo o estado de calamidade. O governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira, decretou situação de emergência em todo o Estado e destacou que se enfrenta a pior tragédia climática da história catarinense. Em 1983, as chuvas no Estado deixaram 49 mortos.Com exceção de um afogamento, registrado na noite de sábado, em Bom Jardim da Serra, todas as outras mortes foram por soterramento. Blumenau, uma das cidades mais castigadas pela chuva até agora, teve 13 mortos. Em Ilhota, 15 pessoas perderam a vida. O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para acertar uma medida provisória que vai destinar recursos para o socorro das vítimas.As principais estradas que fazem a ligação com o Rio Grande do Sul estão bloqueadas por barreiras e as viagens de ônibus só podem ser feitas para cidades próximas de Florianópolis como Palhoça, Biguaçu e Águas Mornas. O Porto de Itajaí foi fechado. RECORDEAs chuvas dos últimos dias quebraram todos os recordes nas estações climáticas catarinenses - foi o maior volume registrado para o mês de novembro desde que o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) começou a fazer medições em Florianópolis, em 1961. Técnicos do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram) de Santa Catarina se mostraram surpresos. "Superou nossos piores prognósticos", afirma o meteorologista Marcelo Martins.Em Blumenau, uma das cidades mais atingidas, choveu o equivalente a quase oito vezes a média histórica na cidade - 866 mm, ante 110,4 mm.

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