Chuva na capital é sinônimo de dinheiro perdido

Na região do Brás, o movimento foi 50% menor; ainda caíram em 18% as operações com cartões na cidade

, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2009 | 00h00

Na terça-feira, em São Paulo, o temporal - a maior chuva em um dia de setembro desde 1943- matou oito pessoas na Região Metropolitana, parou o trânsito e causou muitos prejuízos. A enxurrada arrastou para longe o lucro do comércio, que perdeu 50% do movimento em regiões como Brás e Bom Retiro, no centro. Também levou para o ralo 18% do volume de transações com cartões de crédito esperados para o dia, segundo a Redecard. Durante uma hora e meia, a telefonia fixa não funcionou, deixando muitos paulistanos com o cartão de crédito e débito inoperante.

Restaurantes próximos de centros comerciais enfrentaram problemas com os clientes sem outra forma de pagamento em mãos. A pane foi das 11h às 12h10. Mas por volta das 13 horas o sistema ainda apresentava falhas e as filas proliferavam no caixa dos restaurantes a quilo. Muitos gerentes não tiveram outra escolha a não ser liberar os clientes, na confiança de que voltariam para pagar.

O paulistano enfrentou todo o tipo de fila na terça-feira. Teve até fila para aterrissar em São Paulo. O Aeroporto de Congonhas, na zona sul, ficou fechado por quase uma hora no período da manhã - e à tarde por mais 15 minutos. Às 22 horas, fechou com 71 voos cancelados e 120 atrasados, de um total de 243 operações programadas.

Em terra, o nó foi ainda maior. Caminhões que chegavam não conseguiam entrar na cidade e os que estavam na Avenida dos Bandeirantes e nas Marginais do Tietê e do Pinheiros não conseguiam sair. A Central de Gerenciamento de Emergência (CGE) registrou 119 pontos de alagamentos na Região Metropolitana - 16 intransitáveis. Na Marginal do Pinheiros, altura do Cebolão e do Ceagesp, nem caminhão passava.

ENTREGAS

Empresas de transporte terrestre, como a Expresso Mirassol, com 900 caminhões, arcaram com o ônus das entregas não realizadas no dia. "Tenho em São Paulo uma frota de 300 caminhões", diz Luiz Carlos de Faria, gestor comercial corporativo da empresa. "Entregamos com hora marcada para grandes indústrias. Na terça-feira, meu prejuízo foi de R$ 300 mil." As empresas que não receberam a mercadoria ficaram abaladas. "São as que trabalham com estoque sobre rodas. Sem a mercadoria, deixam de fechar negócios."

Os caminhões dos Correios atrasaram em um dia a entrega de 53 mil objetos na metrópole e em Santos. Dos objetos postados para fora da capital, 305 mil deixaram de ser tratados - ou seja, de passar pela triagem, de onde seriam despachados para os destinos descritos.

Até as melancias e os abacaxis da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) boiaram nas águas do Rio Pinheiros, que invadiram o pavilhão, estragando 40% da mercadoria. Cerca de 300 toneladas de frutas, o equivalente a R$ 225 mil, foram para o lixo. Essas frutas representam apenas 3% do total vendido pelo Ceagesp.

"Quando o sistema de mobilidade da cidade trava por uma causa externa como uma chuva, o sinal é de fragilidade", diz Paulo Resende, coordenador do núcleo de infraestrutura da Fundação Dom Cabral. O centro fez uma pesquisa com 500 usuários das quatro principais vias da cidade - as Marginais do Pinheiros e do Tietê e as Avenidas 23 de Maio e dos Bandeirantes. Os entrevistados gastam em média duas horas no trânsito. "Se a frota continuar crescendo 10% ao ano, em 2014 a média será de quatro horas. E o sistema vai travar." Na terça-feira, às 19 horas, esse foi o tempo médio dos motoristas num engarrafamento de 160 quilômetros. "Tivemos uma mostra do que nos reserva o futuro."

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