Chuva no litoral isola Maresias e fecha Rio-Santos

Em São Sebastião, temporal deixou famílias ilhadas e água atingiu até 2 metros nas casas; resgate teve de ser feito até de caiaque

Reginaldo Pupo, especial para O Estado de S. Paulo

17 Março 2013 | 19h47

SÃO SEBASTIÃO - A forte chuva que atingiu o litoral norte no fim de semana deixou famílias ilhadas em São Sebastião, isolando Maresias e interditando a Rio-Santos. Em alguns locais, a água alcançou até 2 metros nas residências. Desde sexta-feira, foram registrados 111,4 milímetros de chuva, mais da metade do esperado para o mês - 173 milímetros, conforme o Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

Há ao menos 300 pessoas desalojadas em São Sebastião. A situação mais crítica é a da comunidade Vila Lobo Guará, em Cambury, onde 125 pessoas tiveram de ser removidas das casas de barco. "E o número de desabrigados pode aumentar nas próximas horas", afirmou o coordenador local da Defesa Civil, Carlos Eduardo dos Santos. Em Boiçucanga, 154 pessoas foram levadas para o Ginásio, a maioria da comunidade Areão. Outras 34 pessoas do bairro Baleia também tiveram de deixar as suas casas.

Praias. Em alguns locais, a água chegou a atingir 2 metros de altura e moradores caminhavam pelas ruas com água na altura do peito. A situação é mais grave na região sul de São Sebastião, que concentra as praias mais procuradas por turistas.

Os rios daquela região transbordaram e inundaram dezenas de vias. Muitas pessoas deixaram as casas e levaram o que puderam, temendo a repetição da tragédia que aconteceu há 15 dias, quando uma tromba d’água atingiu aquela mesma região, arrastando pontes, carros e destruindo casas. Uma menina de 11 anos morreu levada pela enxurrada.

Na Rua Nova Iguaçu, em Maresias, homens utilizando barcos e caiaques, vestidos com roupas de mergulho, auxiliavam moradores a sair ou chegar em suas casas. Na Rua do Cascalho, em Boiçucanga, a rua se transformou em rio, segundo relatos de moradores. Algumas pousadas de Maresias ficaram completamente alagadas, obrigando os hóspedes a deixar mais cedo os estabelecimentos.

"Há 15 dias, perdi parte dos móveis em outra enchente. Agora estamos tentando salvar o que for possível. É sempre a mesma coisa, basta chover forte e tudo fica alagado", disse o pedreiro Luiz Paulo dos Santos, de 39 anos, que carregava um aparelho de TV.

Para piorar a situação, a água que desce da serra - e normalmente deságua no mar - está represada nos rios, por causa de uma ressaca que também atinge o litoral paulista. Nas principais praias, as ondas variavam ontem entre 3,5 metros e 4 metros e as faixas de areia desapareceram.

Interdições. A Rodovia Rio-Santos, que liga a região central ao sul de São Sebastião, esteve totalmente interditada até as 18 horas de ontem, por causa de uma queda de barreira na serra de Maresias, causando uma fila de cinco quilômetros. Já o bairro Maresias estava complemente isolado, por causa da queda de seis barreiras que interditaram a estrada do Cascalho, ligando Boiçucanga ao bairro.

Muitos turistas retornavam para as cidades de origem após passar o fim de semana na região e enfrentaram lentidão e quilômetros de filas. Outra barreira interditava a rodovia entre Juqueí e Barra do Una. Havia mais de dois metros de terra sobre a pista.

Ainda na Rio-Santos, a reportagem testemunhou diversos acidentes provocados por aquaplanagem. Em um deles, uma mulher presa às ferragens aguardava socorro, na região de Toque-Toque Grande. Várias quedas de barreiras e árvores foram registradas ao longo da Rio-Santos entre Ubatuba e São Sebastião. Em alguns trechos também havia muita lama na pista.

Já no litoral sul a chuva não trouxe grandes prejuízos. No Sistema Anchieta-Imigrantes, só a neblina dificultava a viagem.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.