Chuva provoca seis mortes no Rio

Segundo a Prefeitura do Rio, em 5 horas choveu mais que em todo o mês de março de 2009

Roberta Pennafort, de O Estado de S. Paulo,

07 de março de 2010 | 11h01

Pelo menos seis pessoas morreram em decorrência da forte chuva de sábado à noite no Estado do Rio, entre elas, duas crianças. Na zona norte da capital, deslizamentos de terra fizeram quatro vítimas nos bairros de Anchieta e Rio Comprido; em Niterói, foram registradas as outras duas mortes.

 

Em alguns pontos, a chuva começou no início da noite e varou a madrugada, causando transbordamento de rios, longos congestionamentos e cortes de energia. De acordo com a Prefeitura, choveu em apenas cinco horas mais do que em todo o mês de março do ano passado.

 

Em Anchieta, Rosângela Luis da Silva, de 40 anos, e Gabriela de Souza Freitas, de três, avó e neta, ficaram soterradas dentro de casa, com a queda de uma barreira. Seis pessoas se feriram, entre adultos e crianças. Na comunidade Torre Branca, no Rio Comprido, uma casa de dois andares foi abaixo e duas vizinhas, Roseane Coelho Monteiro Lima, de 33 anos, e Valdete Santos da Silva, de 27, morreram. Os maridos delas, Claudio Cabral e Paulo Sergio Silva, e as filhas de cada uma conseguiram escapar.

 

Ontem de manhã o prefeito do Rio, Eduardo Paes, foi ao Rio Comprido acompanhar o trabalho dos bombeiros. Diante da previsão meteorológica de mais chuva, ele fez um apelo para que os moradores das áreas de risco iminente deixassem suas casas imediatamente, para que não fossem vitimados no próximo temporal.

 

"Não podemos deixar que essas pessoas continuem correndo risco. Não estamos querendo jogar a culpa dos problemas nos moradores, mas sabemos que muitos continuam jogando lixo nas encostas, o que impede que a água da chuva escorra. O que mais nos abala são os deslizamentos, porque são vidas que se perdem", disse Paes.

 

No bairro Cubango, em Niterói, as vítimas foram Maria Auxiliadora Silva e seu sobrinho Luiz Henrique Silva, de nove anos. Os corpos deles foram encontrados ontem de manhã, depois de seis horas de buscas. Na capital, 35 famílias estão desalojadas e cinco perderam suas casas (duas no Rio Comprido e três em Anchieta), num total de 140 pessoas afetadas.

 

O secretário de Conservação e Serviços Públicos do município, Carlos Alberto Osório, disse que as chuvas foram "totalmente atípicas", daí a intensidade dos estragos que provocaram: o pico, entre as 17 e as 22 horas, foi 126,8 milímetros, na área do Riocentro, na zona oeste, onde a precipitação foi mais forte. A média nas áreas mais atingidas da cidade ficou em 100 milímetros. Em meia hora, algumas ruas já haviam se transformado em rios caudalosos, pegando de surpresa quem aproveitava o sábado fora de casa.

 

"Foi uma situação extraordinária, fugiu a qualquer padrão de normalidade. Nenhuma cidade do mundo resistiria", afirmou o secretário, que convocou uma entrevista coletiva ontem à tarde para dar explicações sobre o que ocorrera. Ele ressaltou que o fato de estarmos em época de maré alta contribuiu para os alagamentos, que transformaram ruas em rios caudalosos em meia hora.

 

Por conta do temporal, a chamada Operação Águas de Março, desencadeada pela Prefeitura na semana passada para melhorar o escoamento de águas das chuvas, será redirecionada para as áreas mais afetadas no sábado.

 

O secretário informou que na primeira semana foram desobstruídos 1.400 bueiros e três quilômetros de galerias pluviais. Mas ressalvou que é preciso que a população se conscientize de que o problema se agrava com o lançamento de lixo nas ruas e nas encostas dos morros, lembrando que a média de lixo retirado do Rio é muito superior à mundial.

 

Entre o sábado à tarde - quando foi emitido o alerta sobre as chuvas, mobilizando o Sistema de Gestão de Risco de Crises - e a manhã de domingo, foram destacados 871 profissionais para dar conta dos transtornos provocados pelo temporal, entre equipes de garis, técnicos de engenharia de tráfego e bombeiros.

 

O desabamento de árvores causou obstrução de ruas, mas à tarde os problemas já estavam resolvidos. Na Rodovia Amaral Peixoto, que leva à Região dos Lagos, o trânsito ficou complicado porque uma passarela ameaça desabar. A estrutura deverá ser demolida.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.