Chuva traz o almoço para dentro das empresas

O frio e a chuva que tomaram conta da cidade nos últimos dias já prejudicaram pelo menos uma categoria: os restaurantes. Principalmente no horário de almoço, quando as pessoas costumam trocar as refeições caprichadas por lanches rápidos, geralmente entregues via delivery nos próprios escritórios. Na agência de publicidade QG, na zona sul da capital, os funcionários planejavam pela manhã onde iriam almoçar. Mas ao ver a chuva pela janela, mudaram de idéia e resolveram alterar a rotina. O primeiro passo foi transformar a sala de reuniões da agência, ocupada normalmente por clientes, numa cozinha. A papelada que sempre fica em cima da mesa foi recolhida para dar espaço a baguetes e refrigerantes. O almoço durou menos que o normal: vinte minutos. Mas enquanto comiam, os publicitários puderam relaxar e assistir televisão."Quando olhei pela janela e vi a chuva, desanimei. Foi a gota d´ água para me convencer a não sair do prédio de jeito nenhum", disse o publicitário Marco Piza, de 26 anos. Rapidamente, Piza foi até a mesa da secretária e pegou uma pasta plástica. Dentro dela, mais de 20 cardápios indicavam comércios com serviço delivery acumulados durante vários meses. O cardápio, porém, foi limitado por uma norma da empresa. "Aqui não podemos pedir pratos quentes por causa do cheiro da comida", diz Piza. Sem alternativa, os funcionários ligaram para uma lanchonete e escolheram um cardápio mais leve: sanduíches frios recheados com fatias de peito de peru. A encomenda, porém, levou cerca de duas horas para chegar. Famintos, eles ligaram duas vezes para reclamar na lanchonete. A resposta era sempre a mesma: "desculpe mas estamos com muitos pedidos e a chuva está prejudicando nosso tempo."Perto dali, um amigo deles, que também havia pedido um sanduíche por delivery, demorou cerca de 40 minutos para receber a entrega. Até que o telefone tocou. Silvio Olivier, de 23 anos e Leandro Montenegro, da mesma idade, correram até a porta e receberam a encomenda das mãos do motoboy, que tentou se desculpar. Os publicitários não estavam mais preocupados. Queriam apenas pegar os pratos e ir direto para a ex-sala de reuniões da agência. Atrasos - A partir das 11 horas, diariamente, o telefone do restaurante Grill Express não tem parado de tocar. Segundo a sub-gerente Ângela Rocha, na hora do almoço são entregues em média 60 pratos. Ontem, com a chuva forte, esse número subiu para 105. Mas Ângela garante que não atrasou nenhuma entrega. "Nos finais de semana temos que colocar motoboys extras e por isso ninguém ficou esperando para comer." O prato que teve mais saída ontem foi o yakissoba, um macarrão feito à moda oriental.

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