Chuvas castigam 46 cidades do RS e interditam rodovias

Debaixo de temporal, equipes de resgate retomam buscas por desaparecidos de ponte em Agudo

Solange Spigliatti, da Central de Notícias, e Sandra Hahn, da Agência Estado,

06 Janeiro 2010 | 11h51

As chuvas que atingem o Estado do Rio Grande do Sul desde o último domingo, 3, provocaram estragos em 46 municípios e deixaram 20 trechos de rodovias interditados, segundo balanço da Defesa Civil do Estado, divulgado nesta quarta-feira, 6.

 

Nos 46 municípios, o número de desabrigados é de 43 pessoas e de desalojadas é de 584. Duas pessoas morreram. Pelo menos 530 casas foram atingidas. Deste total, 27 foram destruídas, segundo a Defesa Civil.

 

Em Agudo, onde desabou a ponte RSC-287 sobre o rio Jacuí, continuam desaparecidas cerca de dez pessoas que caíram no rio. A ponte liga Montenegro a Santa Maria. Equipes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros trabalham nas buscas desde as primeiras horas da manhã.

 

Em Candelária, um dos municípios mais afetados pelas fortes chuvas desde o último domingo, 50 pessoas que ficaram ilhadas já foram resgatadas pelas equipes da Defesa Civil. Em Toropi, as fortes chuvas causaram a elevação do nível do Rio Pardo, deixando diversas pessoas ilhadas.

 

Em Santa Cruz do Sul, cerca de mil pessoas foram afetadas pelas cheias do Rio Pardinho e encaminhadas para os pavilhões da Oktoberfest e em ginásios e escolas. Em Nova Palma, diversas pessoas ficaram desabrigadas e foram encaminhadas ao ginásio de esportes.

 

BUSCAS NA PONTE

 

O coordenador da operação de busca, major Jarbas Trois de Avila, informou que serão usados cinco barcos hoje e um helicóptero da Brigada Militar (a PM gaúcha), que no entanto ainda aguardava a melhora do tempo esta manhã para decolar de Porto Alegre (RS) rumo ao local do acidente.

 

A cheia do leito do Rio Jacuí dificulta as buscas, comentou o major. O leito normalmente tem 250 a 300 metros de extensão, mas apresenta 2.000 metros a mais em cada lateral, além do que seria seu tamanho original. O número de desaparecidos permanece incerto. Mais de 20 pessoas estariam sobre a ponte no momento do acidente, observando a cheia do rio, conforme relatos de moradores da região.

 

As autoridades recomendaram ontem que os familiares registrassem na prefeitura de Agudo a falta de algum parente. Até o momento, cinco nomes de desaparecidos foram registrados, incluindo o do vice-prefeito de Agudo, Hilberto Boeck, que estava sobre a ponte para analisar os efeitos da enchente.

 

Avila disse que dez pessoas conseguiram ontem sair do rio, após a queda da ponte. O rio apresenta forte correnteza. A busca é realizada por 13 bombeiros, além da equipe que chegará com o helicóptero. Alguns bombeiros percorrem a pé as proximidades do leito do rio, em pontos em que a água está mais baixa, em busca de vestígios dos desaparecidos.

 

Há várias lavouras de arroz às margens do rio Jacuí, que ficaram submersas. A ponte tinha 314 metros de extensão e foi construída em 1963. O Daer deu início nesta quarta-feira a uma análise técnica para descobrir a causa do acidente.

 

Texto atualizado às 13h10.

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