Chuvas causam a morte de 7 em Salvador; já são 25 vítimas

Bombeiros continuam buscas pelo corpo de uma criança de 6 anos que sumiu durante um temporal

da Redação, estadao.com.br

07 de maio de 2009 | 12h55

As fortes chuvas que atingem a região metropolitana de Salvador já causaram a morte de 7 pessoas. A capital baiana sofre com os temporais desde o meio de abril. No Norte e Nordeste, já são 25 vítimas dos temporais, de acordo com a Defesa Civil dos Estados. A previsão é que as chuvas continuem até pelo menos o meio do mês, devido a um "bolsão" de chuva que não consegue sair da região.

 

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Nesta quinta-feira, 7, o Corpo de Bombeiros informou ter localizado o corpo de Milton Ramos dos Santos, de 39 anos. Ele teria tentado atravessar o córrego que passa pelo Parque São Cristóvão, na última terça-feira - dia em que a chuva caiu mais fortemente na região -, e foi surpreendido pela força da correnteza.

 

Ainda segundo os bombeiros, ainda estão sendo feitas buscas por mais uma desaparecida, Beatriz, de 6 anos, que foi arrastada pela correnteza, também na terça, junto com a mãe, Fernanda Bispo dos Santos, de 27 anos. Na noite de quarta, foi localizado um corpo nas proximidades do local onde o de Fernanda foi encontrado, no fim da manhã, mas ainda não há confirmação de que se trate de Beatriz.

 

De acordo com a Coordenação da Defesa Civil do município (Codesal), há 246 famílias desabrigadas na capital baiana. Voltou a chover mais forte na manhã desta quinta. O órgão registrou, entre a zero hora e às 12h, 181 ocorrências relacionadas à precipitação, das quais 126 deslizamentos de terra e um desabamento de imóvel. Não há informação sobre feridos.

 

"E vou aonde? E quem vai cuidar das minhas coisas?", pergunta o motorista Aílton Carlos Cruz, de 32 anos. Ele mora, com a mulher, Maria Alcina, e três filhos - menores de 12 anos - em uma casa simples, de tijolos aparentes, apesar de espaçosa, com dois andares, localizado em uma encosta na margem da Avenida Ogunjá. "No fim de semana, a gente mal conseguia enxergar a avenida. Agora, ela está logo aqui embaixo."

 

A casa de Cruz parecia protegida até a última terça-feira. Até a margem do barranco, ele conta, era possível dar cinco passos - cerca de três metros. A terra estava coberta por vegetação. Agora, o espaço que separa o imóvel da queda de 10 metros até a avenida não passa de alguns centímetros. Grandes rachaduras surgiram na base do imóvel, prenunciando a queda. "A chuva levou tudo: as árvores, o matagal, a terra...", conta. "E agora vai levar minha casa." A mulher e os filhos seguiram, com o que podiam carregar, para a casa de uma tia, no fim da manhã.

 

A terra que desliza constantemente no local desde a terça-feira invade a avenida, que já foi interditada por três vezes - hoje, ela passou fechada do fim da manhã até a noite. Mais importante: a faixa de terra nua do barranco pouco a pouco vai ficando mais larga. No fim da tarde de hoje, dez imóveis instalados no local corriam risco. Apenas duas famílias ali instaladas haviam deixado as casas.

 

O movimento de retirada de materiais, de camas e sofás a geladeiras, era intenso, mesmo sob chuva, era intenso no início da tarde. Quem conseguia, carregava os equipamentos para casas de vizinhos menos ameaçadas. As notícias de que estavam ocorrendo saques nos imóveis abandonados ou destruídos também desestimula a rapidez na saída dos imóveis. "Nossa vida inteira está aqui", reclama Cruz. "Não dá para deixar tudo para trás, assim. Tenho de ficar para tomar conta de muita coisa, enquanto dá. De noite, minha mulher vai voltar para me fazer companhia."

 

Segundo o secretário municipal do Trabalho, Assistência Social e Direitos do Cidadão, Antonio Brito, ao ligar para a Defesa Civil (199), para alertar uma possível situação de risco, o morador de um local ameaçado recebe as instruções sobre o que deve fazer para sair do imóvel. Ele reconhece, porém, que ainda não há como proteger o patrimônio de quem resolver abandonar o imóvel. "Estamos tentando uma forma, com a Guarda Civil Metropolitana", argumenta. "Nossa prioridade, porém, é preservar as vidas das pessoas."

 

De acordo com ele, foi acertado, entre o Prefeitura e o Ministério da Integração Nacional - o ministro Geddel Vieira Lima está em Salvador, acompanhando a situação - que o governo federal dará uma ajuda de R$ 300, em pagamento único, a cada família desabrigada na cidade, além de um kit com colchões e cobertores e cestas básicas. Foram disponibilizados 1.200 kits. "Além disso, temos o auxílio aluguel, de R$ 100 por mês, por três meses, renováveis por mais três, que é oferecido pela Prefeitura", conta. "Estamos estudando um meio para aumentar esse valor para R$ 150."

 

Brito ressalta que o município também montou um abrigo para os desabrigados que não tiverem aonde ir. "No total, entre todas as ações desenvolvidas para desalojados, já temos 246 famílias sendo atendidas."

 

Ocorrências

 

Depois de um dia (quarta-feira) de chuvas mais fracas na região metropolitana de Salvador, voltou a chover forte na manhã de hoje, causando novos transtornos à população. Apenas até o meio dia, entre alagamentos, deslizamentos de terra, quedas de muros e de árvores e desabamentos de imóveis, a Codesal havia registrado 181 ocorrências. À tarde, a chuva deu uma trégua. Desde o início do mês, choveu, na capital baiana, 245,7 mm, de acordo com o Instituto de Gestão das Águas e Clima da Bahia (Ingá). Segundo o órgão, o total esperado para o mês, com base na média histórica, é de 324,8 mm. Ano passado, durante todo o mês, a precipitação atingiu 257,1 mm.

 

As principais vias da cidade voltaram a apresentar grandes congestionamentos, intensificados pela paralisação, promovida pelo Sindicato dos Rodoviários, que impediu a saída de metade dos ônibus dos terminais entre as 4 e as 7 horas. Eles querem aumento de 12% nos salários da categoria, além de melhorias nas condições de trabalho.

 

Os bombeiros localizaram, pela manhã, o corpo de Milton Ramos dos Santos, de 39 anos. Ele teria tentado atravessar o córrego que passa pelo Parque São Cristóvão, na última terça-feira - dia em que a chuva caiu mais fortemente na região -, e foi surpreendido pela força da correnteza.

 

No início da tarde, foi resgatado o corpo de Beatriz Bispo dos Santos, de 6 anos. Ela havia sido arrastada pela correnteza, também na terça, junto com a mãe, Fernanda Bispo dos Santos, de 27 anos. Seu corpo foi avistado por um grupo de crianças na noite de ontem, mas o resgate só foi possível hoje, por causa da falta de condições de trabalho no local durante a noite. O corpo de Fernanda havia sido encontrado na manhã de quarta-feira.

 

Durante a tarde, foi enterrado o corpo de Rodrigo Cassiano da Silva, de 20 anos. A casa na qual ele estava, com dois amigos - Walter Antônio Moura Júnior, de 22, e Leandro Vinícius Rocha da Silva, de 20 -, no bairro de Pirajá, foi destruída em um deslizamento de terra na terça-feira. Walter e Leandro, que também morreram, foram enterrados na tarde de ontem.

 

No sul do Estado, o avião oficial do governo baiano, que levava o governador Jaques Wagner e o secretário de Relações Institucionais, Rui Costa, para a região, onde eles participariam de inaugurações de obras, teve o pouso em Itapetinga impedido, pela manhã, por causa das más condições meteorológicas. O voo teve de ser desviado para Vitória da Conquista, de onde o governador e a comitiva embarcaram em um helicóptero para Itambé, onde ocorreu o primeiro evento.

 

Ampliada às 19h03

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