Corpo de Bombeiros - MG
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Chuvas em Belo Horizonte deixam quatro pessoas mortas

Mulher e criança foram encontradas dentro de carro e uma adolescente foi sugada por bueiro. Governador eleito disse que situação é 'lamentável' e prefeito assumiu responsabilidade

Igor Moraes e Leonardo Augusto, especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

16 Novembro 2018 | 02h13
Atualizado 16 Novembro 2018 | 20h44

BELO HORIZONTE - As fortes chuvas que atingiram a cidade de Belo Horizonte na noite desta quinta-feira, 15, causaram a morte de quatro pessoas. O feriado de Proclamação da República foi o dia mais chuvoso do ano na capital mineira, segundo a Defesa Civil de Belo Horizonte.    

Cristina Pereira Matos, de 40 anos, e Sofia Pereira Matos, de 6, foram encontradas pelo Corpo de Bombeiros na noite de quinta dentro de um automóvel. Elas foram arrastadas pela correnteza em um alagamento na Avenida Vilarinho, no bairro de Venda Nova, na região norte da capital mineira.

As vítimas estavam dentro de um carro e morreram afogadas. A força da água arrastou o veículo para a linha do metrô, que passa perto da avenida. Os bombeiros também confirmaram na manhã desta sexta-feira, 16, a morte de uma adolescente de 16 anos que havia sido arrastada pelas águas na Avenida Álvaro Camargo, também na região de Venda Nova.

Segundo relatos do Corpo de Bombeiros, a jovem Anna Luísa Fernandes de Paiva Maria, que ficou desaparecida durante toda a noite, estava com seu namorado dentro de um veículo que ficou com uma das rodas presas em um bueiro. A estrutura perdeu a tampa por causa da inundação. Ao tentar deixar o automóvel, ela foi sugada para dentro da galeria pela correnteza. O corpo da adolescente foi encontrado no córrego Vilarinho.

Um homem não identificado morreu ao tentar atravessar um córrego na Ocupação Vitória, na divisa de Belo Horizonte e Santa Luzia, na noite desta quinta. De acordo com testemunhas, o homem estava embriagado e, com a força da água, teria sido levado ao tentar atravessar o curso d´água. 

Chuva mais forte do ano 

O feriado de Proclamação da República foi o dia mais chuvoso do ano na capital mineira, segundo a Defesa Civil de Belo Horizonte. Das 12h30 às 22 horas, choveram 101,6mm. O volume é quase metade dos 239,8mm previstos para todo o mês na cidade.

Os bairros de Venda Nova e Pampulha foram os mais atingidos pelas chuvas. No total, foram registrados nove alagamentos, dois desabamentos de muros, um deslizamento de encosta e uma queda de árvore foram registradas na cidade. O terminal da Estação Vilarinho, que integra 47 linhas de ônibus e uma linha de metrô, foi um dos locais alagados.

 A Defesa Civil informou que está tomando todas as providências para limpeza e recuperação das áreas atingidas pelas chuvas para garantir a normalidade na cidade.

De acordo com o Instituto Nacional de Metereologia (Inmet), a previsão do tempo nesta sexta-feira, 16, é de novas pancadas de chuva em Belo Horizonte.

'Lamentável', diz governador eleito de Minas

O governador eleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), lamentou os estragos causados pela forte precipitação desta quinta. "É lamentável que as chuvas tenham causado tantos danos e principalmente a perda de vidas. E cabe realmente ao estado e ao município tomar medidas sobretudo preventivas para que esse tipo de fato não ocorra de forma alguma", afirmou.

Zema defendeu ainda a urbanização com mais áreas verdes para evitar o impacto de temporais. "A melhor forma é uma urbanização responsável com mais áreas verdes que não impermeabilizem o solo tanto. Toda cidade que cresce baseada apenas em asfalto e concreto. É questão de tempo para que isso venha a acontecer uma hora. Onde o problema já existe, temos que solucioná-lo. Onde ele não existe, se planejar pra que não ocorra no futuro, evitando essa impermeabilização do solo que é a grande causa", disse.

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PHS), afirmou que a culpa da tragédia "é do prefeito" e disse estar fazendo um trabalho "silencioso" para resolver problemas de inundação na capital. . "Chega de morte, chega de assassinato. O prefeito é culpado por duas mortes e um por uma pessoa desaparecida. Vocês não sabem como doi no coração do prefeito uma responsabilidade dessas", disse Kalil.

Apesar do discurso, o prefeito, que esteve na manhã desta quinta próximo ao local das mortes, fez questão de lembrar que nada é feito na região para evitar tragédias relacionadas às chuvas. "Isso aqui não está resolvido porque não fizeram um projeto. Eu sou do ramo, eu trabalho nesta cidade há 50 anos. Então, se não tem projeto, não tem obra. Se não tem projeto, não tem como captar recursos", disse o prefeito.

O prefeito afirmou ainda que, sem alarde, vem trabalhando para reduzir o impacto de temporais na cidade. Segundo Kalil, ainda este mês pelo menos um dos projetos neste sentido para a região deverá ter condições de ser licitado. "Há um trabalho silencioso", disse. Um outro estudo deverá estar pronto até 20 de dezembro, conforme Kalil. "Ninguém sabe, mas o desastre poderia ser maior", afirmou. 

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