Chuvas causam transtornos em São Paulo e Minas Gerais

Até a tarde desta quinta-feira, 18, já eram 82 as cidades paulistas afetadas pelas chuvas desde o início de dezembro. Destas, 21 estavam em situação de emergência em razão do montante elevado dos prejuízos. As prefeituras encaminharam pedido de recursos financeiros e materiais à Defesa Civil. De acordo com a coordenadoria estadual, 407 pessoas continuam desabrigadas.Pelo menos cinco rodovias estaduais e uma federal estão com tráfego precário. Os serviços de recuperação das estradas danificadas estão sendo prejudicados pelo mau tempo. O levantamento dos estragos ainda não foi concluído.De acordo com estimativas das prefeituras, somente no interior os prejuízos já atingem cerca de R$ 80 milhões. A Defesa Civil mantém o alerta para a possibilidade de chuvas fortes na região sudeste, que inclui o Estado de São Paulo.Em Sorocaba, a prefeitura demoliu nesta quinta mais cinco casas localizadas em áreas de risco. Só nesta semana, dez residências foram demolidas preventivamente para evitar seu desabamento. Outras 18 estão interditadas pela Defesa Civil. Os 62 moradores que ficaram desabrigados recebem atendimento no abrigo montado na Escola Estadual Marlene Devasto, na zona norte.Minas GeraisEm plena época de seca no semi-árido baiano, no sudoeste do Estado, quatro municípios da região - Malhada, Cariranha, Serra do Ramalho e Bom Jesus da Lapa - decretaram estado de emergência por causa de inundações. Explica-se: as fortes chuvas que atingem Minas Gerais desde dezembro abastecem a nascente do Rio São Francisco e já causaram aumentaram em até sete metros no nível do rio. Nos municípios, cerca de 2.300 famílias foram atingidas pela enchente - 720 das quais estão desalojadas.A poucos quilômetros do leito do rio, na parte alta da cidade, os agricultores lamentam a estiagem, que tem causado a perda das lavouras, a maioria delas de subsistência. Há cinco meses não chove na região.Na cidade mais atingida pela atípica situação, Malhada, a 900 quilômetros de Salvador, na divisa com Minas Gerais, estima-se que 95% das plantações tenham sido perdidas pelo excesso de água nas áreas baixas e pela falta nas regiões altas do município. Nem pastagem para o gado temos mais", conta o secretário municipal de Meio Ambiente e Agricultura, José Abreu.O governador do Estado, Jaques Wagner (PT), também se viu confuso com a situação. "A boa notícia é a abundância de água no Rio São Francisco, que nos alegra", disse. "A má é que, infelizmente, quando ele sobe, as populações que vivem nas ilhas acabam perdendo as suas plantações e ficam desabrigadas."O vice-governador, Edmundo Pereira, e o secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Valmir Assunção, foram a Malhada e região para checar a situação. Encontraram os acessos à cidade bloqueados pela água, plantações de batata, feijão, milho, abóbora e mandioca perdidas e ilhas habitadas do Rio São Francisco completamente alagadas, com casas totalmente submersas.O governo do Estado solicitou à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) o fornecimento de 5 mil cestas básicas para as famílias desabrigadas. Também enviou três caminhões com colchões, cobertores, filtros de água e rolos de lona plástica. "Nós estamos mobilizando técnicos e vamos doar sementes para auxiliar essas famílias no replantio das lavouras", afirmou o secretário Assunção.

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