Chuvas causam vários transtornos e deixam um morto na Bahia

Previsão era de que índice pluviométrico atingisse 50 mm, porém na região metropolitana, índice superou 150 mm

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2010 | 19h58

A forte chuva que cai desde a noite desta quarta-feira, 7, na Bahia causou uma morte em Feira de Santana, segunda maior cidade do Estado, 110 quilômetros a oeste de Salvador. Raimundo de Jesus Ramos, de 39 anos, caiu em um córrego no Conjunto Feira X, na periferia da cidade, na manhã de hoje, e foi arrastado pela forte correnteza.

 

De acordo com testemunhas, ele escorregou quando passava em uma ponte sobre o riacho. Seu corpo foi encontrado por bombeiros no fim da tarde, no bairro vizinho de Conjunto Viveiros.

 

A chegada, à Bahia, da frente fria que causou tragédias no Rio foi mais intensa do que as autoridades esperavam. De acordo com o subsecretário da Defesa Civil de Salvador, Osny Bonfim, a previsão era de que nesta quinta-feira, 8, o índice pluviométrico atingisse 50 milímetros na cidade. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), porém, a quantidade de precipitações chegou a 57 milímetros, até o início da noite. Na região metropolitana, o índice superou os 150 milímetros em alguns pontos.

 

O resultado das fortes chuvas que atingem a Bahia desde a noite de ontem foi uma série de transtornos em toda a faixa litorânea do Estado. Na cidade de Prado, 796 quilômetros ao sul de Salvador, por exemplo, a BR-489 foi interditada, depois de duas represas da Ribeira do Campinho romper. A água abriu uma cratera de 20 metros da rodovia e invadiu cerca de 100 casas.

 

A interdição da BR faz com que o único acesso à cidade seja pela BR-101 - uma volta de 200 quilômetros. Segundo a prefeitura, há por volta de 500 desabrigados. Uma mulher de 42 anos morreu depois de pisar em um fio de eletricidade oculto pela inundação.

 

De acordo com a Defesa Civil do município, até o início da noite haviam sido registradas 414 ocorrências relacionadas à chuva, entre elas 64 deslizamentos de terra, três desabamentos totais e 14 desabamentos parciais de imóveis. Essas ocorrências não deixaram feridos.

 

Alguns bairros periféricos de Salvador passaram o dia sem energia elétrica. Segundo a Coelba, a incidência de raios em estações de distribuição de energia e a queda de árvores sobre a fiação são os principais responsáveis pelos transtornos.

 

No bairro de Águas Claras, na margem da BR-324 (a mais movimentada rodovia baiana), cerca de 50 imóveis foram inundados. Os moradores, porém, permaneceram no local, tentando salvar móveis e eletrodomésticos. Com a diminuição do volume de chuva durante a tarde, o alagamento diminuiu.

 

Segundo o Inmet, apesar de a chuva ter ficado mais fraca durante a tarde e o início da noite, toda a faixa litorânea da Bahia deve receber chuva forte pelo menos até sábado.

 

Escolas

 

Em Salvador, raios atingiram, na noite de ontem, duas árvores no bairro periférico de Mussurunga, causando a queda de galhos sobre duas escolas estaduais, que tiveram os telhados quebrados. Sete estudantes ficaram feridos, mas sem gravidade.

 

Na manhã de hoje, a prefeitura de Salvador suspendeu as aulas das 414 unidades da rede municipal nos turnos da tarde e da noite - frequentadas por 150 mil estudantes.

 

De acordo com a Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer, a medida foi preventiva, porque a maioria das escolas está instalada em áreas carentes, onde há mais risco de alagamentos e deslizamentos. Não está descartada a suspensão das aulas também nesta sexta-feira.

 

A prefeitura de Lauro de Freitas, na região metropolitana, também decidiu pelo fechamento das escolas - válido também para sexta-feira. Segundo a prefeita Moema Gramacho, seis unidades tiveram os telhados arrancados pelas ventanias. Além disso, duas pessoas ficaram feridas, sem gravidade, no município, depois de serem atingidas por telhas das próprias residências.

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