Chuvas deixam um morto em Salvador e centenas de desabrigados no interior da Bahia

Chuvas deixam um morto em Salvador e centenas de desabrigados no interior da Bahia

Já são 3 mortes relacionadas à chuva no Estado; na capital, moradores estão sem energia elétrica desde a quinta-feira

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2010 | 19h09

Depois de dar uma trégua entre a tarde e a noite desta quinta-feira, 8, as fortes chuvas que atingem a Bahia desde a noite de quarta-feira voltaram a causar transtornos e prejuízos em toda a faixa leste da Bahia.

 

Em Salvador, um homem, ainda não identificado, foi a primeira vítima dos temporais, depois de encostar em um cabo de alta tensão rompido, que estava solto na rua, no bairro de Tororó. Com ele, são três as mortes relacionadas à chuva registradas no Estado - as outras foram em Prado, no extremo sul do Estado, e em Feira de Santana, ambas na quinta-feira.

 

Alagamentos nas principais avenidas da cidade causaram grandes congestionamentos em todas as regiões - a ponto de a Superintendência de Trânsito e Transporte do Salvador (Transalvador) pedir à população para não utilizar automóveis durante a manhã. A prefeitura optou por cancelar as aulas da rede municipal pelo segundo dia seguido, deixando em casa 153 mil estudantes.

 

Em um dos mais importantes entroncamentos viários de Salvador, a ligação entre as Avenidas Tancredo Neves e Paralela, área nobre da cidade, um barranco - que tinha proteção contra deslizamentos - não resistiu à pressão da água e caiu sobre um ônibus que passava no local. Pedaços da proteção de concreto e terra foram parar dentro do veículo, mas as quatro pessoas atingidas no acidente não sofreram ferimentos graves.

 

Segundo a Defesa Civil de Salvador, desde o início das precipitações, o volume de chuva acumulado na capital chega a 256 milímetros - o total previsto para o mês é de 326 milímetros. Apenas entre as 3 e as 7 horas de hoje, em algumas áreas da cidade a quantidade de chuva passou de 100 milímetros.

 

Foram registradas, do início do dia até o início da noite, 440 ocorrências, entre as quais 137 deslizamentos de terra e um desabamento de imóvel. Em bairros periféricos, moradores estão sem fornecimento de energia elétrica desde a tarde de quinta-feira. O zoológico da cidade, invadido pelo barro, foi fechado até a próxima terça-feira.

 

Na região metropolitana e em grandes cidades do interior, como Feira de Santana, os estragos causados pelos temporais também se acumulam. A prefeitura de Feira, por exemplo, decretou situação de emergência, depois que parte da periferia da cidade ficou alagada. Sem ter aonde ir, 40 famílias estão sendo abrigadas em um ginásio esportivo. A administração municipal de Lauro de Freitas, vizinha de Salvador, estuda adotar medida semelhante.

 

Já a prefeitura de Prado chegou a pleitear situação de calamidade pública, por causa dos mais de 500 desabrigados no primeiro dia de chuva. Com o avanço da frente fria para o norte do Estado, porém, as precipitações diminuíram e, ao fim do dia, o balanço, na cidade, era de 150 desabrigados.

 

INVESTIMENTOS

 

No fim da manhã, o prefeito João Henrique Carneiro, acompanhado pelo ministro da Integração Nacional, João Santana, sobrevoou a cidade para identificar as áreas mais prejudicadas pela chuva. Segundo a prefeitura, na próxima segunda-feira será entregue ao ministro um relatório com os prejuízos acumulados na cidade.

 

Apesar dos problemas, João Henrique disse, após o encontro com Santana, que a situação poderia ser muito pior, caso obras em alguns dos principais rios e córregos da cidade não tivessem sido realizadas. "Cinco anos atrás, se houvesse um acúmulo de chuva de 200 milímetros em dois dias, teria havido uma tragédia na cidade", avalia. "Com nossa parceria com o governo federal, pudemos fazer dezenas de obras necessárias para conter as inundações."

 

O ministro voltou a negar que a Bahia tenha sido favorecida pela pasta no repasse de recursos para a Defesa Civil - nos últimos quatro anos, segundo o Tribunal de Contas da União, o Estado recebeu R$ 133 milhões para obras de prevenção a desastres, enquanto outros mais populosos, como o Rio, receberam muito menos (R$ 2,3 milhões, no caso).

 

"A orientação do governo federal é atender a todos, sem distinção de origem ou de orientação partidária", afirma. "Assim, quem apresenta os projetos, o plano de trabalho, o investimento, tudo certo, recebe os investimentos."

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