Chuvas devem aumentar plantio de maconha em PE

A Polícia Federal em Pernambuco trabalha com a expectativa de um grande aumento dos plantios de maconha neste ano devido às chuvas que têm caído na área do polígono da maconha, integrada por 10 municípios no sertão. "Estamos nos preparando para enfrentar um trabalho bem maior devido à abundância da água", afirmou o superintendente regional da PF, Wilson Damásio. Ele observou que, quando há seca, os cultivos se concentram nas ilhas do Rio São Francisco. Com a chuva, barreiros e reservatórios ficaram cheios, facilitando a expansão das plantações.Damásio mostrou preocupação ao fazer um balanço das conseqüências da Operação Mandacaru, realizada em dezembro de 1999 e janeiro de 2000 para reprimir o plantio e a comercialização da maconha na região, em uma reunião do Conselho Nacional Anti-Drogas (Conad), em Petrolina, a 770 quilômetros do Recife, com a presença do ministro-chefe do Gabinete Institucional, general Alberto Cardoso.Segundo Damázio, cerca de 90% do que é plantado na área tem sido erradicado. A redução da produção, segundo ele, é comprovada pelo preço da droga, que passou de R$ 10, 00 o quilo (antes da Mandacaru) para até R$ 300,00. Mas os números da maconha no Estado continuam altos. Nos 53 dias da Mandacaru, foram erradicados 554 mil pés da erva. "A maconha sempre será plantada, o importante é não deixar que ela seja colhida", explicou o superintendente-regional, que pediu ao general Cardoso o aumento do efetivo policiais federais na delegacia que funciona em Salgueiro, no centro do polígono da maconha. Hoje são 27 homens. Ele quer 50 para ter maior controle sobre a área.No âmbito nacional, os números continuam crescendo, mesmo depois da Operação Mandacaru. Em 1999 foram destruídos 3,4 milhões de pés de maconha. Em 2000 foram 3,6 milhões e no ano passado 3,8 milhões. "Já tivemos época de fechar estatística com 20 milhões de pés", minimizou Damázio. Ele disse que o combate à droga em Pernambuco provocou a migração de plantadores e traficantes para o Maranhão, Pará e Amazônia, onde também estão sendo realizadas operações de combate ao cultivo.O ministro Cardoso reconheceu que o problema não está sanado, mas frisou que o Estado "passou a ter a situação sob controle". Ele lembrou o vínculo entre crise de segurança pública e drogas, e enfatizou a necessidade da prevenção tanto quanto a repressão. E ressaltou a importância da oferta de alternativa ao agricultor da área da maconha através do Projeto Moxotó/Pajeú, do Banco do Nordeste. Este projeto abrange 20 municípios pernambucanos e baianos. Até o momento, foram liberados R$ 115 milhões, que financiaram 26 mil projetos. A meta do Banco do Nordeste é chegar aos R$ 400 milhões até o final de 2003. O gerente de implementação do banco, Luiz Sérgio Farias Machado, afirmou que o projeto vem incrementando a fruticultura irrigada, a ovinocapricultura e a piscicultura na área, diversificando o tradicional cultivo de cebola e feijão, que são pouco rentáveis.

Agencia Estado,

25 de fevereiro de 2002 | 17h03

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