Chuvas e ventos fortes deixam estragos no Rio

O bairro dos Jesuítas, em Santa Cruz (zona oeste), foi um dos mais atingidos do município pela frente fria que chegou ao Rio no fim de semana. Os fortes ventos, com rajadas de até 100 quilômetros por hora, e a chuva de granizo destruíram cinco casas e provocaram danos em várias outras. Ninguém ficou ferido.Por causa do temporal, uma árvore caiu e destruiu totalmente a casa do auxiliar de bombeiro da Companhia de Água e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) Sebastião Antônio de Paula, de 62 anos. Ele recuperou apenas o guarda-roupa. Perdeu televisão, cama, sofá e geladeira."A sorte é que eu não estava em casa, senão poderia ter morrido. Nasci outra vez. Nunca vi um temporal que nem o de ontem (domingo)", disse Sebastião, que mora sozinho e, há seis anos, gastou R$ 3 mil para construir o patrimônio. "Deu vontade de chorar quando vi tudo arrasado. Fiquei atordoado. Confesso que ainda nem consegui descansar".Com um copo de cerveja nas mãos, ele contou que vai dormir na casa da sobrinha, sua vizinha, e espera que a prefeitura lhe dê recursos para reconstruir sua residência. "Não adianta me estressar. Estou bebendo para relaxar. Já está tudo destruído mesmo". O pedreiro Marlos Silva dos Santos, de 39 anos, sofreu arranhões nas costas por causa dos tijolos que caíram sobre ele. Sua casa foi parcialmente destruída. Sobrou apenas o quarto dos fundos, onde seu filho de 3 anos e a mulher se esconderam. "Perdi tudo. Mas graças a Deus meu filho Marlos se salvou. Ele só chorava e tremia depois do desabamento. Bateu o desespero, mas tive que me manter calmo. Agora é correr atrás do prejuízo", declarou Santos, que mora há quatro anos no bairro dos Jesuítas. Na Baixada Fluminense, pelo menos 50 moradores da Favela do Maruí, em Jardim Gramacho, ficaram desalojados. O temporal de granizo causou estragos em vários municípios do Estado. Em Itatiaia, a cidade mais afetada da região sul fluminense, setenta e três pessoas ficaram desabrigadas. A prefeitura decretou estado de emergência.PrevisãoA passagem de uma forte massa de ar polar associada à uma frente fria vinda do sul do País contribui para a queda da temperatura em São Paulo e para o risco de ressaca - a elevação das ondas do mar - no litoral paulista e do Rio de Janeiro, entre esta segunda, 21, e terça-feira, por conta da presença de um ciclone extratropical no oceano. "Mas, a massa de ar polar já começa a se afastar, empurrando o centro do ciclone para longe do litoral", afirma a meteorologista Neide Oliveira, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). No Rio, a mínima deve ficar em 12 graus e a máxima em 26.

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