PABLO KENNEDY /FUTURA PRESS
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Chuvas deixam 35 mil desalojados em PE e 3,9 mil em AL; nº de mortos chega a 7

Temporais atingem os Estados nordestinos desde o fim da semana passada e levou os governadores a decretarem emergência em 40 cidades

Mônica Bernardes e Carlos Nealdo, Especiais para o Estado

29 Maio 2017 | 18h55

RECIFE E MACEIÓ - Em Pernambuco, o número de desabrigados e desalojados já chega a 35 mil depois das fortes chuvas que atingem as regiões do Agreste e da Mata Sul do Estado desde o fim da semana passada. Duas pessoas morreram, em Lagoa dos Gatos, e outras duas estão desaparecidas, na cidade Caruaru. Em Alagoas, o número de desalojados chega a 3,9 mil, com estado de emergência decretado em 26 municípios.

O governador pernambucano Paulo Câmara decretou estado de calamidade em 14 municípios: Água Preta, Amaragi, Barra de Guabiraba, Barreiros, Belém de Maria, Catende, Cortês, Gameleira, Jaqueira, Maraial, Palmares, Ribeirão, Rio Formoso, São Benedito do Sul. Equipes da Defesa Civil  iniciaram o cadastramento das famílias que foram obrigadas a deixar suas residências. 

Na cidade de Palmares - onde a precipitação chegou a 192 mm nas últimas 48 horas - a população está assustada. 17 mil dos 65 mil moradores tiveram que sair dos imóveis onde residem por causa das enchentes e dos deslizamentos. Três escolas estão funcionando como abrigos improvisados. De acordo com informações da prefeitura local, a zona rural foi tão atingida quanto a urbana. Há comprometimento de estradas (BRs e vias vicinais) e pelo menos cinco pontes de pequeno e médio porte foram arrastadas pelas águas. Também houve deslizamento de barreiras na zona rural. Temos famílias desabrigadas e desalojadas. 

A situação, segundo o secretário de Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente de Palmares, Francisco de Assis, poderia ser ainda pior. “Se a barragem de Serro Azul não tivesse sido concluída com certeza teríamos muito mais destruição”, destacou. A barragem de Serro Azul tem um reservatório com capacidade de acumulação de 303 milhões de metros cúbicos e, até agora, recebeu 48 milhões de metros cúbicos.

Volume. Em Rio Formoso, onde o volume de chuvas do sábado até ontem era de 187 milímetros, as chuvas derrubaram uma ponte e deixaram quatro mil pessoas desabrigadas. As águas dos rios Amaraji e Ribeirão transbordaram. No fim de semana choveu na cidade o equivalente a mais da metade da média esperada para todo o mês de maio.

Em Ribeirão, a situação também é preocupante. O fornecimento de água foi suspenso até a próxima sexta-feira depois que a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) confirmou a inundação da estação de tratamento que atende à localidade. Em algumas localidades a energia também chegou a ser cortada durante todo o final de semana. 

De acordo com o Governo do Estado, em cada um dos 14 municípios em estado de calamidade será montado um gabinete com representantes da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros.  No domingo, 28, o presidente Michel Temer sobrevoou as áreas afetadas pelas chuvas. A pedido do Governo do Estado, Temer autorizou um empréstimo de 600 milhões de reais do BNDES para concluir quatro represas, cuja construção foi anunciada em 2010, quando um outro temporal atingiu o Estado.

Alagoas. Subiu para cinco o número de mortes provocadas pelas fortes chuvas que caíram em Alagoas desde o fim de semana. Na tarde desta segunda-feira, 29, uma equipe do Corpo de Bombeiros encontrou, na periferia de Maceió, o corpo de Romário Alves de 23 anos, desaparecido desde sábado, 27. A vítima cumpria pena em liberdade e, no momento em que foi encontrada, usava tornozeleira eletrônica. 

Além de Romário Alves, as chuvas provocaram as mortes de Marli Santana de Oliveira, 48 anos, Marlene Silva de Siqueira, 71, Benedito Valdevino da Silva, 56, e  uma criança até o momento não identificada. Todas as vítimas foram mortas em Maceió. 

As chuvas diminuíram consideravalmente nesta segunda-feira, o que fez as equipes do Corpo de Bombeiros retomarem, pela manhã, os trabalhos de busca. Segundo boletim órgão, ainda estão desaparecidos Ailton Alves dos Santos, de 52 anos, Liliane Sherliane da Silva, de 22 anos, e um bebê de apenas seis meses. 

Ao todo, 26 municípios alagoanos foram afetadas pelas chuvas e tiveram seu estado de emergência decretado pelo governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB). Já são 1.655 famílias desabrigadas e 2.397 desalojadas. "Tem ainda as 750 famílias relocadas só em Marechal Deodoro, onde médicos e enfermeiros retornaram a cidade para oferecer o auxílio de saúde a população", informou o governo do Estado, por meio de assessoria. 

Durante todo o dia de, a Defesa Civil de Marechal Deodoro - município distante 24 quilômetros de Maceió - ainda retirava moradores das áreas de risco. Banhada pela lagoa Manguaba, cujo nível da água sumiu cerca de dois metros, a cidade foi uma das mais afetadas pelas chuvas. Além dessas cidades, há pessoas desabrigadas nos municípios de Pilar e Rio Largo - ambas na grande Maceió. 

Na manhã desta segunda-feira, 29, o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), se reuniu com os prefeitos das cidades afetadas pelas chuvas. O encontro, ocorrido no Palácio República dos Palmares - sede do governo estadual - serviu para a coleta de dados para o preenchimento do Formulário de Informações do Desastre (Fide) a ser remetido para o governo federal. 

"Num momento de dificuldades como esse é preciso agir de maneira colaborativa, trabalhando todos juntos, de maneira suprapartidária e republicana, deixando de lado questões menores, provincianas e políticas, para colocar em primeiro lugar o interesse do povo alagoano", ressaltou Renan Filho. 

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