Chuvas matam e causam prejuízos em Minas e Espírito Santo

Os temporais que atingem o Espírito Santo desde domingo já deixaram pelo menos quatro mortos. Seis municípios decretaram situação de emergência e outros podem adotar a mesma medida. A previsão é de que a chuva continue, mas o ciclone extratropical que havia atingido o litoral do Estado perdeu força e se deslocou para o sul, em direção ao Rio de Janeiro. De acordo com a Defesa Civil estadual, a região mais castigada é o noroeste do Espírito Santo. No momento mais crítico, o Estado teve 163 desabrigados e 2.135 desalojados.Em Água Doce do Norte, município onde oito pontes foram destruídas, três pessoas de uma mesma família morreram soterradas na manhã desta quarta-feira, 13. O deslizamento de terra ocorreu em Vila Lenita, por volta das 6h30, e matou um homem identificado como Edmílson, de 25 anos, sua mulher, identificada como Ednéia, de 28, e a filha do casal, Mislaine. Duas casas vizinhas também foram atingidas, mas uma estava vazia. Na outra, a família estava acordada e conseguiu escapar.A quarta morte aconteceu em Barra de São Francisco. Na mesma cidade houve uma quinta morte, causada por descarga elétrica, mas o caso não entrou na conta das chuvas, que já tinham provocado outra morte lá no mês passado.Os municípios que no início da noite desta quarta já estavam em situação de emergência, de acordo com a Defesa Civil, são: João Neiva, Ponto Belo, Mantenópolis, Baixo Guandu, Vila Pavão e Ecoporanga. Estavam em processo de decretação as cidades de Água Doce do Norte, Nova Venécia, Barra de São Francisco e São Matheus. A maioria fica no noroeste do Espírito Santo.Dois rios despertam a preocupação da Defesa Civil, o Cricaré e o Doce. Em São Matheus, o transbordamento do Cricaré inundou um trecho da rodovia BR-101 Norte. Cem famílias foram removidas de suas casas pela Defesa Civil. O órgão informou que o Cricaré tem recebido muita água de chuvas também em Minas. Mesmo enfraquecido, o ciclone que atingiu o litoral do Espírito Santo ainda pode causar ondas de até quatro metros de altura no litoral sul do Estado.MinasFortes chuvas atingiram também a região do Vale do Mucuri, em Minas Gerais, e fizeram mais uma vítima fatal. Edimar de Souza, 33 anos, morreu na madrugada desta quarta quando um temporal provocou o desabamento parcial de sua casa, no bairro Vila Vieira, município de Padre Paraíso, a 546 quilômetros de Belo Horizonte. De acordo com informações da Polícia Militar, o desabamento ocorreu por volta da 0h10, quando Souza dormia no quarto da residência.A ocorrência elevou para 12 o número de mortos este ano em Minas em decorrência das chuvas, conforme balanço da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec). Deste total, nove óbitos foram registrados na região do Vale do Mucuri.Ronílson Martins Nascimento, da Defesa Civil de Padre Paraíso, disse que cerca de 150 casas correm risco de desabamento e aproximadamente 100 pessoas ficaram desalojadas. Durante a madrugada, o rio São João, que corta a cidade, transbordou. Há um mês, o município decretou situação de emergência.Ao todo, a Cedec contabiliza 29 cidades mineiras em situação de emergência. Mais de 93 mil pessoas já foram afetadas pelas chuvas, sendo que 2.099 ficaram desabrigadas e 4.883 desalojadas.Os temporais provocaram também problemas nas estradas que cortam o Estado. Na BR-116, que liga Minas à Bahia, quedas de barreiras interditaram parcialmente a pista da rodovia na altura do quilômetro 118, próximo a Catuji, no Vale do Mucuri. O asfalto sofreu afundamento no acostamento. Na mesma região, quedas de barreiras levaram também à interdição da MGT-418, que liga as cidades de Nanuque a Carlos Chagas.MenoresNo leste de Minas, em Governador Valadares, a cheia do Rio Doce continuava preocupando as autoridades, que mantinham o estado de alerta. No bairro Santos Dumont, a direção do Centro de Internação do Adolescente - que fica às margens do rio - preferiu não correr riscos e os 65 internos foram transferidos na terça para um ginásio poliesportivo da cidade. Segundo a prefeitura, não há previsão para que os menores retornem para a unidade.A Defesa Civil municipal acredita que a partir de quinta, 14, o nível do rio começará a baixar, já que desde quarta as chuvas perderam intensidade na região. Em Governador Valadares, a Defesa Civil contabilizava 308 pessoas desalojadas, 119 desabrigadas, 83 casas danificadas e 18 destruídas.

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