Chuvas na Baixada Fluminense já deixam 3.968 desalojados

Região está entre as mais afetadas pela chuva que atingiu o Estado nos dois últimos dias do ano

Clarissa Thomé e Alessandra Saraiva, O Estado de S. Paulo

01 Janeiro 2010 | 18h23

Os municípios da Baixada Fluminense estão entre os mais afetados pela chuva ininterrupta que atingiu o Rio nos dois últimos dias do ano. 3.968 pessoas tiveram de deixar suas casas naquela região, segundo o boletim da Defesa Civil Estadual, divulgado às 17h de ontem. Só em Duque de Caxias, havia 2.360 desabrigados e desalojados. Desses, 683 se refugiaram em escolas municipais e igrejas. Cinco pessoas já morreram devido às fortes chuvas.

 

Veja também:

linkRio tem 19 mortes causadas por chuvas no Estado

 

"Muitas pessoas aqui estão com mais de um metro de água dentro de casa. Perderam tudo: roupas, móveis, alimentos. É uma situação desoladora", contou o pastor Amós Filho, que acolheu 160 desabrigados na Primeira Igreja Batista em Pilar (Duque de Caxias). O pastor recebeu alimentos, água potável da Defesa Civil, mas conseguiu apenas 50 colchonetes. "Tivemos de distribuir por famílias. Têm quatro, cinco pessoas dividindo um colchonete só, sem o mínimo de conforto", contou.

Com a rua alagada há dois dias, a telefonista Adilsa Meirelles, também moradora de Pilar, não sai de casa desde quarta-feira. "Não dá para sair, a água chega até a cintura", disse. "Os bombeiros estão falando que, mesmo sem chover, a água vai subir ainda mais", acrescentou.

De acordo com a assessoria de Imprensa da prefeitura, a Defesa Civil municipal recebeu 206 chamados e foram registrados 90 deslizamentos de terra. Os rios Sarapuí e Iguaçu transbordaram, provocando 95 pontos de alagamento. A casa da técnica de enfermagem Cíntia Salazar, de 28 anos, está entre as que foram tomadas pela água barrenta dos rios.

"Cheguei do plantão hoje de manhã (ontem) e encontrei lama até a metade das paredes. Até cobra tinha. Há uma semana mobiliei minha casa para o Natal, não paguei nem o primeiro cheque do armário de R$ 2.500 e já perdi tudo", contou.

Os filhos de Cíntia, de 5 e 7 anos, estavam com a avó dela. Ontem, ela levou os objetos que pôde salvar para o terraço de uma tia e abrigou-se na casa de uma vizinha. "O que me revolta é que em época de eleição eles prometem tudo. A prefeitura recebe uma fortuna de royalties de Petrobrás e não faz nada pela população."

O contínuo Eduardo Santos, de 29 anos, morador da comunidade Trevo das Flores na Baixada Fluminense, está vendo seus vizinhos deixarem suas casas. "A água não invadiu minha casa, mas outras na minha rua estão submersas" diz ele.

Em São João de Meriti, a Defesa Civil continuava em estado de alerta. Bombeiros de três quartéis faziam buscas na tarde de ontem ao estudante Hamilton Teles, de 16 anos. Ele desapareceu após um desabamento no bairro Jardim Íris.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.