Chuvas no Rio deixam 153 mortos e mais de 14 mil fora de suas casas

Cidade continua em estado de atenção por causa das chuvas

07 de abril de 2010 | 20h06

Sucursal Rio

 

Bombeiros trabalham em resgate de vítimas em Santa Teresa.

 

RIO - O Estado do Rio já contabiliza 153 mortos, de acordo com levantamento feito pelo Corpo de Bombeiros até as 19h desta quarta-feira, 7, na pior chuva dos últimos 44 anos. Niterói é a cidade com maior número de vítimas, 79. Na capital são 46 mortos, a maior parte no Morro dos Prazeres, em Santa Tereza (18). As outras vítimas são de São Gonçalo (16), Petrópolis (1), Nilópolis (1), Paulo de Frontin (1) e Magé (1). De acordo com a Defesa Civil do Estado, 3.262 pessoas estão desabrigadas (tiveram suas casas destruídas) e 11.439 desalojadas (tiveram de deixar suas casas). 53 pessoas ainda estão desaparecidas (50 em Niterói e três na capital).

 

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Na noite desta quarta, um novo deslizamento de terra em Niterói atingiu o Morro do Bumba, no Visçoso Jardim, bairro conhecido como "mar do morros". Segundo as primeiras informações do Corpo de Bombeiros, entre 20 e 45 casas teriam sido atingidas pelo deslizamento e aproximadamente 50 pessoas teriam sido soterradas. De acordo com o coronel Alves de Souza, dois corpos já foram encontrados no local.

 

O Rio continua em estado de atenção. Em Niterói, do outro lado da Baía de Guanabara, choveu forte no final da tarde, tornando ainda mais dramático o resgate das vítimas. O prefeito Jorge Roberto da Silveira calcula que precisará de R$ 15 milhões para assentar 320 famílias que vivem em área de risco e 2.600 pessoas que estão desabrigadas por causa da chuva, além de recuperar os acessos da cidade, afetados por quedas de barreira. Em vários pontos da cidade, como Morro do Beltrão, havia pessoas desaparecidas há mais de 40 horas. Desesperados, moradores procuravam os parentes com pás e enxadas.

 

De acordo com Jorge Roberto da Silveira, 300 homens do Corpo de Bombeiros, além de funcionários da Defesa Civil, trabalharam no resgate aos corpos. "São mais de 30 pontos de deslizamento na cidade. É a pior tragédia que atinge Niterói desde o incêndio de um circo (em 1961, que matou centenas de pessoas). Estamos fazendo um esforço brutal para recuperar a cidade", disse Silveira. Nesta quarta, as seis primeiras vítimas da tragédia foram enterradas no Cemitério do Maruí, na zona norte da cidade.

 

Na capital, os cariocas tentaram retomar a rotina já que a chuva deu uma trégua durante o dia. Mas foi uma tarefa difícil. Algumas vias importantes da cidade continuavam obstruídas, como a Estrada Grajaú-Jacarepaguá, que só deve ser reaberta em um mês, e a Avenida Niemeyer, que liga São Conrado ao Leblon. A única ligação da Barra com a zona sul era feita pela autoestrada Lagoa-Barra. A queda de uma barreira causou a interdição da Rodovia Rio-Santos (BR-101-Sul), em Mangaratiba, na altura do Km 450, durante toda a manhã. Mas, por volta do meio-dia, o tráfego foi liberado em meia pista.

 

Casa destruída no Morro do Beltrão, em Niterói

 

Garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio (Comlurb) recolheram 5760 toneladas de lama e detritos. Os reboques da prefeitura socorreram 202 veículos abandonados nas ruas durante o temporal. Na quarta, o Ministério da Saúde destinou ao Rio mais de 5 toneladas de medicamentos e insumos para os desabrigados. São ao todo 52 kits, suficientes para atender 26 mil pessoas por um período de três meses. Trinta e cinco bombeiros da Força Nacional desembarcaram no Estado para ajudar nos resgates.

 

O cineasta Fábio Barreto, de 52 anos, voltou a ser internado ontem no Hospital Copa D'Or, em Copacabana, na zona sul, depois de receber alta hospitalar no último dia 22 para continuar o tratamento em casa. A medida foi tomada por precaução, de acordo com a assessoria da unidade, por conta das fortes chuvas, já que a casa onde se encontrava o cineasta e o imóvel vizinho foram interditados por estarem em área de risco. Ele continua em coma, depois de sofrer um acidente de carro em dezembro.

 

As escolas públicas voltam a funcionar na cidade do Rio nesta quinta-feira. O comércio ainda não foi normalizado. Segundo Aldo Gonçalves, presidente do Conselho Empresarial de Comércio de Bens e Serviços da Associação Comercial, ontem o movimento estava 50% abaixo do normal. "O prejuízo acumulado desde terça já soma R$ 270 milhões", calcula. A área mais atingida pela chuva de quarta na zona oeste. A Favela Rio das Pedras, em Jacarepaguá, ainda estava alagada. Os moradores improvisaram a drenagem de becos e vielas inundados pela água barrenta. No Morro da Mangueira (zona norte), nove famílias permanecem abrigadas nos camarotes da quadra da escola de samba. Uma casa desabou na localidade conhecida como Cruzeiro, no alto da favela.

 

Na parte baixa, um prédio de quadro andares na região conhecida como Buraco Quente também veio abaixo. "Nós cadastramos 70 famílias, mas a maioria resiste em deixar as casas ou estão provisoriamente nas casas dos familiares. Vamos pedir a inclusão de quem perdeu tudo no programa Aluguel Social", anunciou o diretor da Associação dos Moradores do Morro da Mangueira, Marcos Pereira da Silva.

 

Carros atingidos pela forte chuva no Morro o Querozene, na zona norte do Rio

 

Com informações de Márcia Vieira, Bruno Boghossian, Talita Figueiredo, Pedro Dantas e Clarissa Thomé

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