Chuvas no Rio matam pelo menos nove pessoas

Pelo menos nove pessoas morreram no Estado por causa das fortes chuvas que atingiram o Rio na noite de ontem. Em Xerém, na Baixada Fluminense, três pessoas de uma mesma família foram soterradas por causa de um deslizamento de terra. As demais vítimas eram moradores das regiões Norte e Noroeste, as mais afetadas pela tempestade. Segundo a Defesa Civil Estadual, a chuva já deixou 1.286 desalojados e 269 desabrigados desde ontem. O pedreiro Sérgio Murilo da Silva, de 37 anos, e suas filhas, Evelyn de Souza da Silva, de 10 anos, e Ana Caroliny de Souzada Silva, de três anos, dormiam no bairro da Pedreira, em Xerém, quando a terra desceu sobre a casa. Os três morreramna hora. A enteada de Silva, Michelle Ester Souza da Silva, de 17, que está grávida de sete meses e dormia na casa, escapouilesa.Vizinhos contaram que o acidente ocorreu por volta de meia-noite e chovia muito no momento. Junto com a terra que atingiu osfundos da casa, desceram galhos e bambus. Michelle contou como sobreviveu. ?Eu estava dormindo e ouvi um barulho muitoforte. Quando vi, estava fora da casa, mas ouvi a Evelyn gemendo. Foi a terra que me levou.? A mulher de Silva e mãe dascrianças, Ester Maria de Souza, de 37 anos, teve que ser sedada. Ela é doméstica e dormia no trabalho, em Jacarepaguá, zonaoeste, quando foi avisada pela irmã. ?Vim para cá pensando que eles estavam no hospital. Não sabemos para onde ir, mas omais importante eu já perdi.? A casa dela fica em área de risco e foi uma das cinco interditadas ontem pela Defesa Civil. Em duas casas vizinhas à de Ester, moram mais sete parentes. Cerca de 30 pessoas ficaram desalojadas. ?Retiramos a menina de trêsanos dos braços do pai, que a abraçou. Uma viga caiu nas costas dele e tivemos de quebrá-la para retirar o corpo?, disse ocoordenador da Defesa Civil Estadual, coronel Carlos Alberto de Carvalho. Segundo ele, podem ocorrer novos deslizamentos.Moradores denunciaram que a Defesa Civil não faz vistorias no local, o que foi negado pelo órgão. Em Pocilga, uma localidade próxima de Pedreira, o aposentado Daniel José Ribeiro teve trabalho para retirar a lama que invadiu o quintal de sua casa. A terra desceu anteontem à noite e parou na parede dos fundos. ?Moro aqui há 12 anos, mas nunca tive de sair. Das outras vezes em que teve deslizamento, não foi tão violento. Minha intenção agora é vender a casa e ir embora?, disse ele, que mora com a mulher e a filha de 12 anos. Em Santo Antônio de Pádua, Região Noroeste, o rio que dá nome à cidade ficou 26 centímetros acima do nível normal. A águatomou as ruas e arrastou casas. Orlando Oliveira Barbosa, de 53 anos, Vitor Hugo da Silva Loureiro, de 6, Minervina da CostaSouza, de 96 e Cecília Batista Fialho, de 86, morreram afogados, levados pela enxurrada no distrito de Monte Alegre.As outras duas vítimas são dois homens, um de Cambuci, na Região Noroeste, e outro de São Fidélis, na Região Norte Elesmorreram também arrastados pela enxurrada e não haviam sido identificados até o fim da tarde. Dois jovens brincavam àsmargens do Rio Acari, na tarde de ontem, quando caíram na água. Eles estavam sendo procurados.A ministra da Assistência Social, Benedita da Silva, disse que está em estudo como o governo federal poderia ajudar as famíliasafetadas pela chuva no Rio. Ela disse que depende do governo estadual decretar o estado de calamidade pública para querecursos do Fundo Nacional de Assistência Social possam ser liberados.

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