Chuvas prejudicam vôos, Congonhas tem 82,8% de cancelamentos

A forte chuva que caiu na manhã de quarta-feira atrapalhou as operações nos aeroportos de Congonhas e de Cumbica, em São Paulo, acarretando mais atrasos e cancelamentos, um dia depois de ter sido anunciada pela Anac a proibição da venda de bilhetes com partidas de Congonhas. A pior crise da aviação civil no país, agravada pelo acidente com o Airbus A320 da TAM em Congonhas, provocou nesta quarta a demissão pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de Waldir Pires do Ministério da Defesa. O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim assume a pasta. Em Congonhas, aeroporto mais movimentado do país até o acidente com avião da TAM na semana passada, havia 82,8 por cento dos vôos cancelados até as 13h. Das 99 partidas programadas, 82 foram canceladas e 3 tinham atrasos de mais de uma hora. Apenas seis aeronaves tinham pousado no aeroporto até as 12h, e 16 vôos foram alternados para Cumbica, em Guarulhos, até as 10h42. Desde o acidente, os pilotos têm evitado aterrissar em Congonhas em dias de chuva, causando o redução de aeronaves no aeroporto. Em Guarulhos, até as 12h, dos 132 vôos programados, 39 estavam atrasados mais de uma hora e três foram cancelados. No saguão de Congonhas, no começo da tarde, havia uma aparente tranquilidade, com poucas filas nos balcões de check-in, uma cena rara se comparada às confusões da última semana. Apesar disso, muitos passageiros pareciam perdidos com as informações desencontradas das companhias aéreas. Era o caso do professor universitário Sivaldo Leite Correa, 45 anos, que pousou em Guarulhos vindo de Aracaju (SE) nesta manhã e tentava chegar para Joinville (SC). "Cheguei às 8h a Guarulhos, e me encaminharam direto para o ônibus, em direção a Congonhas. O pessoal da TAM disse que aqui estava operando normalmente, mas encontramos isso, o vôo cancelado", disse Correa, ao lado de seus dois filhos de 10 e 17 anos. Na terça-feira, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou a suspensão, por tempo indeterminado, da venda de passagens para vôos com partida de Congonhas e informou que a medida poderá se estender a outros aeroportos "se houver necessidade". Na noite de terça-feira, a TAM comunicou o cancelamento de 36 vôos que seriam operados nesta quarta em Congonhas e o remanejamento de outros 25 vôos para Guarulhos. Segundo a empresa, outros cancelamentos e alterações "podem ser anunciados ao longo do dia em função do mau tempo". Os vôos domésticos da TAM apresentam média de atraso de 65 minutos, enquanto as linhas internacionais, com média de 64 minutos de atraso, informou a assessoria da companhia nesta manhã. OUTROS AEROPORTOS O mau tempo prejudicou também aeroportos de Florianópolis (SC), Ribeirão Preto (SP) e Ilhéus (BA), que chegaram a fechar nesta manhã, segundo a TAM. No balanço geral dos principais aeroportos do país, divulgado às 10h30 pela Infraero, dos 630 vôos programados, 121 foram cancelados (19,2 por cento) e 168 tinham atrasos com mais de uma hora (26,6 por cento). O aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, registrava sete cancelamentos dos 60 vôos programados, além do atraso de mais de hora de 19 vôos. No aeroporto de Brasília, das 30 partidas programadas, 13 estavam atrasadas e 4 foram canceladas. Outras medidas anunciadas pela Anac para tentar melhorar a situação em Congonhas incluem a decisão de que os vôos que decolam e aterrissam no aeroporto tenham, no máximo, duas horas de duração, sem conexões, e o fim dos vôos fretados no local a partir do próximo fim de semana. Na terça-feira da semana passada, o vôo 3054 da TAM com 187 pessoas a bordo, proveniente de Porto Alegre, explodiu ao se chocar com o prédio da TAM Express, após tentar pousar em Congonhas, causando a morte de cerca de 200 pessoas. Desde então, a pista principal foi posta está fechada. A Infraero informou que as obras do grooving -- ranhuras na pista que ajudam no escoamento da água -- começariam nas primeiras horas desta quarta, mas o trabalho acabou adiado devido às chuvas. A assessoria da Infraero em Congonhas afirmou que por enquanto não há previsão para começar o grooving, nem para arrumar a cabeceira da pista, que sofreu deslizamento de terra na segunda-feira. (Colaborou Henrique Melhado Barbosa)

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