Anna Tiago
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Chuvas provocam 4 mortes e destruição em Pernambuco

Três pessoas morreram após deslizamento de barreira em Olinda e menina não resistiu à queda de muro sobre sua casa, no Recife

Monica Bernardes, Especial para o Estado

30 Maio 2016 | 11h31

RECIFE - As chuvas que caíram nas últimas 24 horas na Região Metropolitana do Recife provocaram quatro mortes, dezenas de deslizamentos, alagamentos e a remoção de pelo menos 180 famílias de áreas atingidas ou ameaçadas por barreiras e córregos. Há registros de 12 pessoas feridas e duas desaparecidas, segundo informações da Defesa Civil de Pernambuco. 

Equipamentos urbanos também foram danificados, a exemplo de um trecho de pelo menos 300 metros da avenida beira-mar de Olinda, que foi arrastado para dentro do mar, causando pânico entre moradores e populares que circulavam pela região.

Pelo menos 10 dos 14 municípios que forma a Região Metropolitana do Recife sofreram os efeitos do temporal. No intervalo de seis horas – entre às 3 horas da madrugada até às 9 horas da manhã, o volume de chuvas chegou aos 240 mm, o equivalente a 67% das precipitações previstas para os meses de maio e junho.

O alerta de chuvas fortes na região, feito pela Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC) permanece válido até o fim da manhã desta terça-feira, 31.

Escolas, faculdades, clínicas, comércio, empresas, órgãos públicos, bancos e outras instituições não abriram as portas. Parte dos bairros de Recife e Olinda ficaram por mais de sete horas sem energia elétrica depois que a Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) desligou parte da rede a pedido do Corpo de Bombeiros, para evitar choques em áreas onde a rede elétrica foi danificada.

Nas ruas e avenidas da RMR engarrafamentos para todos os lados. Em alguns bairros, como na Imbiribeira, na Zona Sul da capital, assaltantes aproveitaram que motoristas e passageiros estavam ilhados para realizar arrastões.

Mortes. As quatro mortes registradas nesta segunda não foram às primeiras ocorridas em 2016. Em abril, um homem de 37 anos já havia sido vítima fatal de um deslizamento ocorrido no Córrego do Euclides, na Zona Norte da capital pernambucana.

No início da manhã, por volta das 5 horas, no bairro do Passarinho, na Zona Norte do Recife, uma menina de quatro anos morreu ao ficar presa sobre os escombros de sua casa, que foi destruída após a queda de um muro construído por um morador vizinho. Segundo a Secretaria Municipal de Defesa Civil do Recife o muro era uma construção irregular.

Em entrevistas o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), afirmou que sua gestão obteve “importantes avanços” no combate aos efeitos das chuvas, ao citar a redução de alguns pontos de alagamento e a distribuição de lonas em 8 mil, dos 16 mil pontos de risco existentes em morros. As afirmações do gestor, no entanto, causaram revolta entre os moradores do Passarinho, vizinhos da família da vítima. 

“Nós estamos abandonados. O rapaz que fez esse muro só fez porque queria proteger a família e os vizinhos. Cansamos de pedir ajudar para a Prefeitura do Recife e ninguém fez nada. Nem lona, nem murro de arrimo, nem reforço nas encostas. Estamos largados e agora querem colocar a culpa da morte da menina nas costas dos vizinhos”, reclamou o comerciante Isaias Silva, 45, que reside no local.

As outras três mortes aconteceram no bairro de Águas Compridas, na periferia de Olinda. Uma criança de sete anos, sua mãe e uma vizinha faleceram após ficarem soterradas por uma barreira que deslizou.

No bairro do Ibura, Zona Sul do Recife, onde dois deslizamentos foram registrados, duas pessoas ficaram feridas. O mesmo aconteceu em pelo menos outros oito bairros da capital e da vizinha Olinda. Em Paulista, Abreu e Lima, Jaboatão, Moreno, cidades da região metropolitan, os alagamentos atingiram dezenas de imóveis.

Mais de 120 famílias destas cidades foram removidas para abrigos ou para a casa de amigos e parentes. Em toda a região, foram registrados mais de 380 pontos de alagamentos segundo a Defesa Civil de Pernambuco e o Corpo de Bombeiros. Em alguns pontos, nem mesmo ônibus ou caminhões conseguiam trafegar.

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