Chuvas voltam a causar transtornos em Salvador

Cidade teve inúmeros pontos de alagamento, além de oscilações no fornecimento de energia elétrica

Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo,

18 de maio de 2009 | 19h01

Depois de três dias de estiagem, a chuva voltou a castigar Salvador entre o fim da tarde de domingo, 17, e esta segunda-feira, 18, causando uma série de transtornos na cidade. Pontos de alagamento em todas as principais avenidas e surgimento de novos buracos nas vias, além de oscilações no fornecimento de energia elétrica, causadas por quedas de árvores e de postes, fizeram com que grandes engarrafamentos fossem vistos em todas as áreas da capital baiana. Os alagamentos atingiram também a linha de trens do Subúrbio Ferroviário. Até as 9 horas, todas as viagens foram canceladas, provocando confusão nas estações.

 

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especialMapa dos estragos provocados pelas chuvas

 

Segundo a Coordenadoria de Defesa Civil do município (Codesal), a precipitação média na cidade passou a média histórica para maio. Entre o dia 1.º e hoje, o índice pluviométrico alcançou 364,5 milímetros - 66,9 milímetros entre o meio-dia de ontem e as 12 horas desta segunda-feira, 18. A média histórica para o mês, o mais chuvoso na cidade, é de 349,5 milímetros. Em alguns pontos da cidade, a quantidade de chuvas acumuladas supera 450 milímetros.

 

A Codesal registrou, entre a 0 hora e as 18h30, 368 ocorrências relacionadas com a chuva, entre elas 138 deslizamentos de terra e 11 desabamentos de imóveis. Não foram registrados feridos. No fim da tarde, dois postes caíram nas imediações do Farol da Barra. Um deles atingiu um carro, que estava vazio.

 

De acordo com a prefeitura, passam de 3.500 os desabrigados e há 615 imóveis correm risco iminente de desabamento na capital baiana. O trabalho dos agentes da Codesal tem sido focado no pedido aos moradores para que as casas sejam evacuadas. Além desses, cerca de 80% dos casarões do Centro Histórico da cidade estariam sofrendo algum tipo de problema estrutural por causa da chuva.

 

O que abriga a Secretaria Municipal de Serviços Públicos e Prevenção à Violência (Sesp), na Rua 28 de Setembro, por exemplo, teve de ser evacuado, por causa do aparecimento de grandes rachaduras. Os trabalhadores foram transferidos para o prédio da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), a dez quilômetros dali.

 

A situação mais grave, porém, foi registrada no município de Nazaré - conhecido como Nazaré das Farinhas -, no Recôncavo Baiano, a 216 quilômetros de Salvador. O nível do Rio Jaguaripe subiu mais de dois metros entre domingo e esta segunda-feira, 18, fazendo com que boa parte do centro da cidade fosse invadida pela água. De acordo com o prefeito, Milton Rabelo de Almeida Junio, 200 famílias ficaram desabrigadas.

 

O município decretou estado de emergência, fazendo subir para nove as cidades na situação - Salvador, Lauro de Freitas, Simões Filho e Vera Cruz, na região metropolitana, além de Camacan e Mascote, no sul do Estado, já tiveram a emergência reconhecida pelo governo do Estado. Candeias, na região metropolitana, Casa Nova, no norte do Estado, Guaratinga, no sul baiano, e Nazaré aguardam a homologação.

 

A previsão do 4º Distrito Regional do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é que a chuva na região continue até a quarta-feira.

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