Evelson de Freitas/AE
Evelson de Freitas/AE

Cianeto matou vítimas de incêndio na boate Kiss, apontam laudos

Falta ainda o laudo de análise da espuma de revestimento que, ao queimar, gerou a fumaça tóxica

Elder Ogliari,

15 Março 2013 | 18h30

Os delegados que investigam a tragédia de Santa Maria (RS) receberam nesta sexta-feira o último lote de laudos de necropsia das vítimas do incêndio da boate Kiss e viram confirmada a tese de que os 234 óbitos ocorridos no dia 27 de janeiro tiveram como causa a inalação de cianeto e monóxido de carbono. Outras sete pessoas que estavam na casa noturna morreram posteriormente, em hospitais, elevando o número de óbitos para 241. Dos 145 feridos que necessitaram de internação, 126 tiveram alta e 12 continuam em tratamento em hospitais de Santa Maria e Porto Alegre.

Os laudos técnicos são uma das últimas etapas do inquérito. Havia a previsão de que a investigação terminaria nesta sexta-feira, mas a conclusão foi adiada para a segunda metade da semana que vem. Faltam ainda o laudo de análise da espuma de revestimento que, ao queimar, gerou a fumaça tóxica e os depoimentos de algumas testemunhas e do empresário Elissandro Spohr, um dos sócios da Kiss, marcado para a tarde de sábado (16). O chefe da Polícia Civil do Estado, delegado Ranolfo Vieira Júnior, disse que os delegados que investigam o caso já têm convicções sobre os indiciamentos, mas não divulgarão nomes antes de remeter o inquérito ao Judiciário.

A tragédia ocorreu na madrugada de 27 de janeiro. Durante um show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira a fagulha de um artefato chegou ao teto da boate e começou a queimar a espuma do revestimento acústico. O fogo espalhou-se pela casa, que não tinha sinalização e vias de saída adequadas para a situação. Dois proprietários da Kiss, Spohr e Mauro Hoffmann, e dois integrantes do conjunto musical, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão, estão presos preventivamente.

A investigação policial está verificando se os quatro têm responsabilidade direta pelo desastre e também deve identificar eventual culpa de outros integrantes da banda, sócios formais da casa e agentes públicos, estes por falhas na emissão de alvarás e na fiscalização.

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