Ciclistas prometem protestar nus em SP

Evento global critica ''cultura do carro''

Diego Zanchetta, O Estadao de S.Paulo

12 de junho de 2008 | 00h00

Ignorados por motoristas e com raros espaços transitáveis em São Paulo, um grupo de ciclistas promete chamar a atenção, no sábado. Com eventos simultâneos em cidades como Londres, Vancouver e Auckland, o World Naked Bike Ride (passeio ciclístico nu na cidade) chega à capital pela primeira vez, com direito ao slogan "as bare as you dare" - "tão nu quanto você ousar". São esperados pelo menos 200 participantes, a partir das 14 horas, na Praça do Ciclista, na altura no número 2.440 da Avenida Paulista. O passeio vai percorrer toda a via. Em cidades onde o evento é realizado desde 2005, como Londres, mais de 30 mil pessoas devem estar no Hyde Park para a largada do protesto."Não existe nenhuma conotação erótica no evento, as pessoas podem ir de roupa. O importante é chamar a atenção dos motoristas para alguém que eles ignoram no dia-a-dia no trânsito", explica o programador André Pasqualini, de 34 anos, "cicloativista" e um dos organizadores da edição brasileira. Os cartazes do evento em São Paulo circulam em blogs e sites de ciclismo, como o www.ciclobr.com.br. "Nos outros anos, tentamos organizar algo parecido, mas não deu certo. Desta vez, realmente será o primeiro ano de São Paulo", completou.Por que pedalar nu? "Porque é como os ciclistas se sentem, disputando espaço com os veículos motorizados. Enquanto os motoristas estão protegidos de todos os lados, com freios ABS, air bags, cintos, barras de proteção lateral, nós só contamos com a esperança de sermos vistos e respeitados", diz o informe do evento.Os organizadores também advertem que os adeptos do nu poderão "disfarçar o pudor pintando o corpo". Ficar sem roupa em lugar público é considerado atentado ao pudor e pode resultar em detenção de até dois anos.A partir do meio-dia, haverá pintura dos corpos e preparação das alegorias na Praça do Ciclista. Também participam do World Naked Bike Ride, mas em outras datas, Madri, Paris, Cidade do México e Montreal. Nessas cidades, o movimento tem sido engrossado nos últimos anos por skatistas, que decoram seus corpos com mensagens de protesto contra a "cultura do carro".

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