Luiz Pinheiro/ Prefeitura de Peruíbe
Luiz Pinheiro/ Prefeitura de Peruíbe

Ciclone bomba causa ondas gigantes e destrói 20 barcos no litoral sul de SP

Fenômeno extratropical atingiu o sul do país na terça-feira e recebeu o nome de ciclone-bomba pela rapidez e intensidade de propagação

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

01 de julho de 2020 | 12h20

SOROCABA – Cerca de 20 embarcações afundaram ou foram danificadas após serem atingidas por ondas gigantes causadas por um ciclone bomba, no final da noite de terça-feira, 30, em Peruíbe, litoral sul do Estado de São Paulo. Barcos de pesca e lanchas que estavam amarradas a um píer de atracação foram arrancados pelo vendaval. Conforme a prefeitura, duas lanchas e sete embarcações maiores afundaram. Outros barcos menores foram atirados contra as rochas e a estrutura de uma ponte, ficando destruídos ou avariados.

De acordo com a diretora do Departamento de Agricultura do município, Juanita Trigo, o número de perda de embarcações, considerando os naufrágios e os danos, chega a duas dezenas. Ninguém se feriu. O pescador Nelson de Lara viu seu barco desaparecer em meio à tempestade. Segundo ele, as ondas chegaram a quatro metros de altura e a água invadiu a região do Mercado de Peixe. Ele contou que os próprios pescadores, com apoio da Guarda Civil Municipal, conseguiram resgatar alguns barcos que estavam à deriva ainda durante a noite.

Na manhã desta quarta-feira, 1º, Lara e outros pescadores buscavam destroços dos seus barcos, com apoio de equipes do município. O prefeito Luiz Maurício (PSDB) acompanhou as buscas e disse que a prefeitura dará apoio aos pescadores que dependem as embarcações para subsistência. “Tenho muita proximidade com os pescadores e sei o quanto estão sofrendo”, afirmou. Alguns barcos que ficaram encalhados em praias e mangues serão rebocados.

Conforme a Defesa Civil estadual, havia previsão de ventos fortes, com velocidade de até 88 km por hora, em todo o litoral, entre as 21 horas de terça e o mesmo horário desta quarta. O órgão expediu comunicado de alerta meteorológico a toda a rede de prevenção, incluindo as prefeituras do litoral de São Paulo.

Ciclone

A pesquisadora Ana Maria Heuminski de Avila, do Centro de Pesquisas Meteorológicas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, disse que o sul do Estado de São Paulo está no limite do ciclone extratropical que atingiu o sul do país na terça. Segundo ela, o fenômeno recebeu o nome de ciclone-bomba pela rapidez e intensidade de sua propagação.

“A diferença de pressão atmosférica, muito baixa em algumas áreas, gerou esse vento muito forte que tem essa característica de deslocamento pelo mar, provocando ondas muito altas. O sul de São Paulo foi o limite para essa tempestade, que atingiu o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.”

A pesquisadora acredita que o fenômeno meteorológico deve perder intensidade no continente nesta quarta-feira, mas ainda assim deve produzir ondas muito altas, com até quatro metros, na costa paulista. Em alto-mar, as ondas podem chegar a nove metros.

Ainda como reflexo desse fenômeno, mas no continente, pode haver chuva e vento com menor intensidade. “A tendência é de retorno progressivo à normalidade, embora o mar ainda deva permanecer muito revolto, com risco alto para navegação até os próximos dois dias”, disse.

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