Ciclone faz mar invadir casas no litoral de SP

No Rio, ressaca atingiu carros na rua

Bruno Moreschi, MONGAGUÁ (SP) e Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

07 Julho 2031 | 00h00

Um ciclone extratropical formado em alto-mar causou destruição no litoral paulista. Na madrugada de sábado para domingo, as ondas invadiram ruas e casas em Mongaguá, de 30 mil habitantes, a 95 km da capital. Não houve feridos, mas o prejuízo foi estimado em R$ 300 mil. A força do mar também causou prejuízo no condomínio residencial Riviera de São Lourenço, próximo de Bertioga. A água entrou em garagens de prédios e destruiu quiosques. Há 30 anos não se via o mar tão violento. Elizabete Ramos, dona de um quiosque no Jardim Marina, região mais afetada em Mongaguá, conta que na madrugada de sábado para domingo foi até o local retirar objetos de valor. No prédio da frente, os moradores gritavam assustados das janelas. ''''Lutei para a construção da rampa que liga a praia com a avenida, e o mar veio e destruiu tudo'''', conta. A rampa de acesso virou um monte de entulho de concreto. A água conseguiu quebrar uma mureta de quase meio metro e invadiu a Avenida Governador Mário Covas, à beira-mar. Também entortou postes e abriu uma cratera de 20 metros de largura por um de profundidade na Vila São Paulo. O caseiro de uma residência em frente da cratera acordou no meio da noite com o barulho dos gritos e do mar. Adriano Bernardo, de 23 anos, diz que tem medo de morar no local com o filho de 1 ano. ''''Eu tinha uma falsa impressão de que vivia em um lugar tranqüilo.'''' O coordenador da Defesa Civil, José Antonio Marchetti, vistoriou a avenida e concluiu que, em algumas partes, a água entrou por baixo do asfalto. Ele avalia que parte da avenida pode ceder. ''''Iremos isolar a área para medir o real risco. Nosso medo é que o mar invada de novo esta noite (ontem)'''', disse. O ciclone extratropical, porém, já perdeu sua força, e o mar deve se acalmar nas próximas noites. Segundo o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), ciclones desse tipo são comuns no inverno. Ontem, também houve ressaca no mar na zona sul do Rio. No Leblon, as ondas chegaram a quatro metros de altura no meio da tarde, atingindo o calçadão e avançando sobre automóveis que passavam na Avenida Delfim Moreira. A força da água fez as pedras portuguesas do calçadão se soltarem.

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