Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Cidadãos e ambiente no centro do debate

Melhorar a mobilidade promove a qualidade de vida e a sustentabilidade

Luiza Pollo, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2019 | 05h00

Diminuir o número de carros nas ruas e melhorar o espaço para as bicicletas, pedestres e outros modais tem consequências que vão além da redução do trânsito, como a melhora na saúde física e mental, redução da mortalidade, preservação ambiental e para a economia. O tema foi debatido no Summit Mobilidade Urbana durante a mesa “Rotinas passadas a limpo – de que maneira as ações de sustentabilidade e de mobilidade ativa são capazes de melhorar a qualidade de vida urbana”.

“Por que o primeiro dado que recebemos no rádio, na TV, é sobre a lentidão de veículos, quando a maioria da população está andando de ônibus?”, questionou Danielle Hoppe, gerente de Transportes Ativos do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil).

O foco do debate foi exatamente a experiência das pessoas na cidade. Quais dados, políticas de planejamento urbano e ações da população e do governo podem trazer mudanças efetivas nessa área e refletir uma melhora para o meio ambiente e para a saúde dos cidadãos?

A cidade de Fortaleza (CE) parece ter encontrado parte das respostas. De 2014 a 2018, houve redução de 40% no número de mortes por acidentes de trânsito – foi o menor número em 15 anos, segundo dados da prefeitura e da Iniciativa Bloomberg de Segurança Viária Global. 

“É muito impopular (o trabalho para) reduzir mortes no trânsito porque a gente mexe com políticas públicas que mexem com direitos adquiridos”, diz o prefeito da cidade, Roberto Cláudio (PDT-CE). Ele defende ações como reduzir a velocidade, aumentar a fiscalização, criar áreas de trânsito calmo e promover campanhas educativas. “A omissão em não fazer isso é inexplicável na perspectiva da ética do interesse público.”

Eficiência. Um trânsito mais seguro e sustentável não é apenas um trânsito com menos mortes ou acidentes. Ilan Cuperstein, vice-diretor regional para a América Latina da C40 Cities Climate Leadership Group, lembrou que Santiago, no Chile, com 200 veículos, tem hoje a maior frota de ônibus elétricos da América Latina e a segunda maior do mundo (perdendo apenas para a China). “Isso traz um ganho imediato na qualidade de vida e na qualidade do ar. Em segundo lugar, conforto.” 

Segundo Cuperstein, os ônibus elétricos foram abraçados pela população local a ponto de diminuir a depredação. E a empresa chilena de transporte público também saiu ganhando: a longo prazo, o custo com esses veículos é menor do que os movidos a diesel.

Melhorar a qualidade do transporte, porém, não é suficiente se a população não tiver acesso a ele. Uma pesquisa do ITDP aponta que, pelo menos em relação ao metrô e ao trem, a região metropolitana de São Paulo ainda deixa muito a desejar quando o assunto é acesso. De acordo com a diretora do instituto, a população que ganha menos está mais longe do transporte público. Entre os que recebem até meio salário mínimo , 15% vivem a até 1 quilômetro desse tipo de transporte. Já entre aqueles que ganham três salários mínimos ou mais, o porcentual sobe para 39%, mostra a pesquisa. 

Marcela Ferreira, coordenadora de projetos no Urbem – Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole, opinou que as leis de zoneamento devem diminuir os benefícios concedidos aos carros. Cobrar pela construção de vagas de garagem, por exemplo, é visto por ela como uma medida positiva. “As construtoras pensam duas vezes antes de colocar uma vaga, já que podem investir o mesmo valor em espaço habitável.” 

Os palestrantes enfatizaram a necessidade de colocar os cidadãos no centro o debate e usar esses dados para melhor a qualidade de vida da população.

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