Cidade argentina vira entreposto de traficantes brasileiros

Narcotraficantes e contrabandistas brasileiros estabelecidos no Paraguai estão deixando de utilizar como entrepostos de drogas cidades do interior do Centro Oeste brasileiro e agindo em outras localidades. A província de Misiones, na Argentina, é a escolha mais provável, devido à posição geográfica, que, entre outras vantagens, dificulta o trabalho policial. As velhas bases ainda servem para recepção da maconha paraguaia e cocaína colombiana."Até cigarros de marcas brasileiras, fabricados no Paraguai, passam pelo lado argentino, na região. Esse é um dos fortes motivos da escolha", disse um informante. Ele acrescentou que "Misiones é a melhor base para contrabandistas e narcotraficantes, devido às facilidades de transportes entre Paraguai, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina"."Lá, são comuns os vôos rasantes de pequenas aeronaves, jogando fardos de drogas e contrabando nas margens do Rio Paraná ou fazendas", disse. O informante alertou sobre o agravamento dessa mudança devido à participação de grupos que trocam armas clandestinamente despachadas pelo Peru por cocaína colombiana. Parte das armas curtas e longas é destinada aos integrantes de facções criminosas do Brasil, lideradas por presidiários de Assunção, São Paulo e Rio de Janeiro. O resto é destinado a grupos paramilitares.Esses acontecimentos fazem parte das discussões em torno da criação do Centro de Inteligência Regional (CIR), entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Yguazú (Paraguai). O órgão terá a seu cargo investigações sobre tráfico de drogas, contrabando, lavagem de dinheiro e atividades ligadas ao terrorismo internacional. O último item tem a ver com as atuações das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) no Brasil e no Paraguai.A participação colombiana está sendo investigada desde o seqüestro e assassinato de Cecília Cubas Gusink, de 32 anos na época, em 21 de setembro de 2004. Ela era filha do ex-presidente paraguaio Raul Cubas, que governou o país vizinho durante sete meses, entre 1998-1999. Dois meses antes da execução de Cecília, um grupo de colombianos estava sendo investigado no Paraguai. A polícia paraguaia mantém em sigilo a identificação dos investigados.Agentes policiais infiltrados conseguiram obter imagens de treinamentos ministrados por soldados da Farc, para membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), sediados no país vizinho. Os instrutores simularam um seqüestro, utilizando uma residência alugada, na periferia de Assunção. A fita foi analisada por peritos brasileiros e considerada autêntica, mostrando como a vítima deveria estar conduzindo o veículo dela e como deveria ser feita a abordagem."Os participantes do treinamento eram brasileiros e paraguaios", segundo garante o juiz federal Odilon de oliveira, que já condenou no Mato Grosso do Sul, mais de 120 traficantes e contrabandistas. Entre eles Irineu Pingo Soligo, que age no sul do Brasil.

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