Cidade da Música tem licença negada de novo

O prefeito do Rio, Cesar Maia, que em 15 dias passa o cargo para Eduardo Paes, sofreu um duro golpe. Ele foi obrigado a adiar a inauguração da Cidade da Música, sua obra mais polêmica, que consumiu R$ 518 milhões. O Departamento de Diversões Públicas do Corpo de Bombeiros, órgão subordinado ao governo do Estado, não deu licença para abertura do complexo cultural, que seria inaugurado ontem com um concerto da Orquestra Sinfônica Brasileira para 1.300 pessoas. "A obra está inacabada. A prefeitura fez um esforço para atender todas as exigências, mas a Cidade da Música ainda não está apta para receber público de mais de mil pessoas", explicou o coronel do Corpo de Bombeiros Roni de Azevedo Lima.Há dois dias, os bombeiros fizeram uma inspeção por conta própria, já que nenhum órgão da prefeitura tinha feito o pedido de licença. Segundo o órgão, não havia a menor condição de liberar o acesso ao público. Durante a noite de quarta-feira e a manhã de ontem, os funcionários trabalharam freneticamente para tentar resolver os problemas, mas não adiantou. Nas inspeções feitas ontem, as equipes dos bombeiros encontraram várias irregularidades. "A fiação está exposta, as saídas de emergência estão obstruídas e as caixas de incêndio ainda não foram instaladas", enumerou Roni de Azevedo Lima.Segundo o chefe da Defesa Civil Municipal, coronel João Carlos Mariano, ontem foi feito um acordo com os bombeiros. "Vamos reforçar os equipamentos contra incêndio e pânico para obter a licença." O secretário municipal das Culturas, Ricardo Macieira, disse que a nova data de inauguração será definida hoje. Ontem, a Cidade da Música, na Barra, zona oeste, ainda era um grande canteiro de obras. Ainda havia muita terra e escavadeiras trabalhando.

Clarissa Thomé, RIO, O Estadao de S.Paulo

19 de dezembro de 2008 | 00h00

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