Cidade de São Paulo lidera o Índice do Medo no Brasil

A população da cidade de São Paulo sente mais medo da violência do que a média da população brasileira, apontou uma pesquisa inédita da Fundação Getúlio Vargas Opinião (FGV Opinião), divulgada hoje em São Paulo. Enquanto em todo o País a média ficou em 48 pontos, com 92 cidades pesquisadas, em São Paulo a pontuação foi de 62, em uma escala que vai de zero a 100. A pesquisa, chamada Índice do Medo, ouviu 300 pessoas em São Paulo. Com perguntas sobre situações do cotidiano - como, por exemplo, se a pessoa se sente segura em andar às 22h na cidade -, a pesquisa da FGV Opinião tem por objetivo medir a percepção de insegurança das pessoas.São Paulo superou a média do Rio de Janeiro (56 pontos) e Vitória (53 pontos), mas ficou no mesmo patamar de outras capitais, como Recife, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Salvador e Porto Alegre. Os pesquisadores ainda não fizeram uma interpretação comparativa dos dados, uma vez que esta é a primeira pesquisa do gênero no País. "No Rio, temos uma situação de criminalidade alta há quase 20 anos, as pessoas já estão um pouco anestesiadas", disse Alberto Carlos Almeida, um dos pesquisadores da FGV Opinião.Sobre Vitória, que também registra elevada violência, ele acredita que o índice ficou menor porque o crime na cidade é mais localizado, envolve máfias. "De qualquer forma, em todas as capitais o índice é muito alto", afirmou. Alguns fatores chamaram a atenção dos pesquisadores, como o fato de que o sentimento de medo na população paulistana é muito semelhante em toda a cidade, não importando a idade, escolaridade, local onde mora ou outros fatores. Quem não trabalha fora também sente mais medo do que quem tem emprego e precisa se locomover pelo município.O crime que o paulistano acha que tem maior chance de acontecer é o assalto a mão armada: 51% dos entrevistados acham que esse é o tipo de violência que têm mais probabilidade de sofrer. O instituto apurou que 46% dos paulistanos consideram grande a chance de serem vítimas de um crime, 64% pensam diariamente em violência e 93% acreditam que a violência aumentou no último ano. Essas perguntas não entraram na tabulação da pesquisa."A maior utilidade do índice do medo é que o governo poderá promover uma ação policial e social específica para diminuir o medo, para conseguir apoio social no combate à violência", disse. Para ele, com o aumento da criminalidade a população tende a confiar menos na polícia.Segundo Almeida, a pesquisa consegue dizer quem sente mais medo e aponta os locais onde a polícia poderá conseguir apoio da população no combate ao crime. Os dados também podem ser usados por empresas, para definição de locais de investimento, por exemplo. A pesquisa sobre percepção de insegurança será feita a cada seis meses. "Acho que, teoricamente, não deveremos ter um aumento elevado nas próximas pesquisas. Para chegar a um patamar muito alto será preciso que a situação se deteriore muito", afirmou.O documento deverá ser oferecido para o público em geral daqui a duas semanas no site da FGV (www.fgv.br).

Agencia Estado,

03 de dezembro de 2002 | 15h53

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