Cidade elimina os estacionamentos

Em Vauban, perto da fronteira com a Suíça, 70% das famílias não possuem automóveis e 57% os venderam

Elisabeth Rosenthal, The New York Times, VAUBAN, ALEMANHA, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

Já imaginou viver em um lugar de alto padrão onde a maioria dos moradores resolveu abrir mão dos automóveis? Em Vauban, um distrito experimental alemão nos arredores de Freiburg, perto da fronteira com a Suíça, isso existe. Lá, as ruas são completamente "livres de carros", com exceção da principal via pública da cidade, por onde passa o bonde que leva ao centro de Freiburg, e de algumas ruas mais remotas da comunidade. A aquisição de carros é permitida, mas há somente dois lugares onde o estacionamento é autorizado - grandes garagens na periferia de Vauban, onde o proprietário de um carro pode adquirir, juntamente com a casa, uma vaga por US$ 40 mil.Como resultado, 70% das famílias de Vauban não possuem carros e 57% os venderam para ir morar ali. "Quando eu tinha carro, estava sempre tensa. Sou muito mais feliz assim", disse a instrutora Heidrun Walter, mãe de duas crianças. Vauban, cuja construção foi concluída em 2006, é exemplo de uma tendência que cresce na Europa e nos Estados Unidos e prega um "planejamento inteligente". Os carros têm sido o sustentáculo dos subúrbios, de Xangai a Chicago. Isso, segundo analistas, é um obstáculo para as atuais tentativas de reduzir emissões de gases associados ao efeito estufa e diminuir o aquecimento global.Os carros de passeio são responsáveis por 12% das emissões de efeito estufa em toda a Europa - proporção que está aumentando, de acordo com a agência ambiental europeia - e chega a 50% em algumas áreas dos Estados Unidos.Vauban, cidade de 2,6 quilômetros quadrados de área e 5.500 habitantes, pode ser o mais avançado experimento de subúrbios quase desprovidos de carros. Seus preceitos básicos já inspiram adaptações pelo mundo, materializadas em iniciativas que tentam tornar os subúrbios mais compactos e acessíveis ao transporte público, com menor espaço para estacionamento. Nessa perspectiva, lojas ficam dispostas numa rua principal, a distância de uma curta caminhada, em vez de serem reunidas em shoppings à beira de vias expressas distantes.

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