Cidade exporta conhecimento para a África

Pesquisadores de Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique acompanham ações em direitos humanos

Adriana Carranca, O Estadao de S.Paulo

08 de março de 2009 | 00h00

O avanço dos movimentos sociais e de organizações do terceiro setor no Brasil está atraindo pesquisadores da África para São Paulo. O angolano Simão Pascoal Hossi chegou há três semanas para conhecer ações de combate à violência contra a mulher. Com ele, cinco africanos de países lusófonos desembarcaram para um intercâmbio da Conectas Direitos Humanos, com apoio da Open Society. Durante dez meses, terão aulas na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e farão estágio em instituições de pesquisa, organizações não-governamentais e órgãos públicos.Para Simão, a Lei Maria da Penha, que aumentou o rigor das punições dos agressores "é das mais avançadas". Margareth da Luz, de Cabo Verde, concorda. Ela pretende acompanhar o trabalho das Delegacias da Mulher. Já Dario Caetano de Souza acredita que decisões recentes do Judiciário brasileiro, em favor dos direitos dos homossexuais, servem de exemplo para seu país. "Em Moçambique há uma organização, mas o governo se recusa a reconhecê-la", diz. Ele pretende acompanhar grupos parlamentares que atuam na área, além de participar como observador da maior Parada Gay do mundo.Seu conterrâneo Salvador Camate fará estágio, a partir do dia 30, no laboratório do IBCCrim, o qual considera um dos melhores institutos de pesquisa. Ele tem como foco o combate à tortura, enquanto o angolano Paulo Justino quer conhecer a atuação de organizações como a Pastoral Carcerária na reintegração de presos. E Bacar Queta, de Guiné-Bissau, veio buscar expertise no atendimento a portadores do HIV. Eles estudam, mas se divertem. Foram aos ensaios da Vai-Vai, no Bexiga, e aos desfiles. Fizeram compras na Rua 25 de Março e sambaram no Traço de União, na Vila Madalena, e no Bar Brahma, no centro. "Aqui há mais música ao vivo", diz Salvador, fã de Zeca Pagodinho e de Gal Costa. Nos fins de semana, ele garimpa discos nos sebos da Bela Vista, onde estão hospedados. "Na Paulista, a pessoa se sente no mundo, com livrarias, cinemas, cafés e o Masp", diz Margareth. Mas, o que mais os encantou foi o Museu da Língua Portuguesa. "A tecnologia impressiona."

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