Cidade paraense de Altamira decreta calamidade pública

Chuvas causaram rompimento de vários açudes, provocando enchentes; Procuradoria abriu investigação

Fabiana Marchezi e Carlos Mendes, Central de Notícias e O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2009 | 16h58

A prefeitura de Altamira, no Pará, decretou nesta terça-feira, 14, estado de calamidade pública em razão das fortes chuvas que atingiram o Estado últimos dias. Segundo a Defesa Civil estadual, as chuvas causaram o rompimento de vários açudes, provocando uma forte enxurrada. Cerca de 15 mil pessoas foram prejudicadas. A inundação ainda causou a queda de várias casas e pontes na cidade. Os bombeiros buscam por quatro pessoas que estariam desaparecidas.

 

O procurador da República na cidade do sudoeste do Estado, Rodrigo Timóteo Costa e Silva, abriu investigação para saber se o rompimento de barragens em diversas fazendas que cercam o município teria sido a causa das enchentes. Ele mandou ofícios à Polícia Federal e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para que comecem imediatamente o trabalho de apuração. Quatorze bairros foram atingidos e 15 mil pessoas estão desabrigadas. Uma morreu e quatro estariam desaparecidas.

 

O que levou o procurador a tomar essa atitude foi o fato de somente o igarapé Altamira, que corta a cidade, ter transbordado e provocado forte correnteza que arrastou casas, carros e invadiu lojas, causando prejuízos a moradores e comerciantes superiores a R$ 5 milhões, de acordo com estimativas não oficiais.

 

Segundo Costa e Silva, outros dois igarapés da cidade resistiram às chuvas e não transbordaram. "A investigação poderá dizer se houve algum tipo de intervenção humana para que o igarapé Altamira transbordasse a ponto de promover tantos estragos na cidade. Já sabemos que algumas barragens romperam, mas não podemos acusar ninguém. Os laudos técnicos irão dizer o que houve", resumiu o procurador.

 

Para o diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) no Pará, José Raimundo Abreu, a média histórica do volume de chuvas na cidade, nos últimos trinta anos, foi batida no sábado. Abreu disse que em apenas 24 horas choveu 226 mm. O total do mês de abril já chega a 346,6 mm, batendo a média histórica de 329 mm. No sábado, choveu 70% acima do que estava previsto pela meteorologia. Até o final de abril, de acordo com previsão de Abreu, deverá chover um volume pluviométrico de 600 mm, o que poderá superar qualquer índice até hoje registrado em Altamira.

 

Atualizado às 17h36 para acréscimo de informações.

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