Cidades cearenses estão em emergência pela falta d´água

Oitenta e quatro cidades cearenses - 45,6% do total de 184 - tiveram decretado o estado de emergência devido à escassez de água no Estado. Dessas, 70 pedidos de ajuda já foram analisados por técnicos da Coordenação Estadual de Defesa Civil e a solicitação para o abastecimento por carros-pipa foi encaminhada para a Coordenação Nacional de Defesa Civil, em Brasília. As outras 14 cidades estão sendo avaliadas. De acordo com o coronel Murilo Lobo de Queiroz, coordenador da Defesa Civil do Ceará, até a próxima semana todos esses pedidos deverão ser reconhecidos.O trâmite é necessário para que o sertanejo possa contar com a única fonte de abastecimento d´água possível nesta época do ano: o carro-pipa. Até esta semana, apenas 56 cidades das 84 estavam sendo contempladas pelo programa, que é executado pelo Exército.Primeiro, o prefeito decreta o estado de emergência e o encaminha ao governo estadual que, por sua vez, o remete ao Ministério da Integração. Este, por fim, autoriza o Exército a mandar água para a cidade atingida pela seca. O processo ainda é demorado, mas, segundo o coronel Murilo, deverá ficar mais ágil a partir do próximo mês, quando será criado o Conselho Estadual de Defesa Civil. "O órgão, que será composto por representantes dos governos estadual e federal, além das Forças Armadas, realizará reuniões mensais de modo a tornar as decisões mais rapidamente", garantiu o coronel.Hoje, municípios como Itapajé, 125 quilômetros ao norte de Fortaleza, não têm água na zona rural e nem na sede. "Todos os anos temos de brigar por água. A gente está fazendo racionamento desde agosto", disse Maria Racifa Sales Pires, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade. De acordo com ela, a solução para a falta de água no município é a construção do açude Ipu, no sítio de mesmo nome.Moradora do Sítio Salitre, em Tejuçuoca, a 143 quilômetros de Fortaleza, Miriam Soares Cruz, também do Sindicato de Trabalhadores Rurais, disse que a comunidade de 59 famílias se abastece do rio Caxitoré, que está totalmente seco. Restaram apenas duas covas no leito do rio que a população pega água.Em Pentecoste, a 86 quilômetros de Fortaleza, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, José Gomes da Silva, afirmou que a situação mais crítica é na localidade de Arisco Mororó. Fica a 60 quilômetros da sede do município, quase na divisa com Maranguape, na região metropolitana de Fortaleza. Lá, as cisternas estão secas e quando tem água, esta não serve para consumo humano. Ele disse que a chuva deste ano não deu para encher as cisternas.A Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) anunciou para este trimestre - de dezembro de 2006 a fevereiro de 2007 - uma tendência de chuvas abaixo da média histórica, que é de 700 milímetros. Já a previsão para a próxima quadra chuvosa só será anunciada após a primeira quinzena de janeiro.

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