OECD / ITF 2018 / Marco Urban
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‘Cidades têm de aplicar metas em todos os modais’, diz consultor em transporte

Para Timothy Papandreou, que participa nesta quinta do Summit Mobilidade Urbana 2019, governos devem liderar colaboração com empresas em vez de assumir postura reativa

Entrevista com

Timothy Papandreou, consultor de transporte

Mariana Barros, Especial para o Estado

30 de maio de 2019 | 03h00

Para o consultor Timothy Papandreou, que participou do projeto do carro autônomo do Google e atuou por cerca de quinze anos em agências governamentais de transporte em Los Angeles e São Francisco, os governos precisam começar um diálogo de colaboração com as empresas de mobilidade e devem aplicar suas metas de eficiência em todos os modais, não apenas nos novos.

Papandreou será um dos principais palestrantes do Summit Mobilidade Urbana 2019, principal fórum de discussão e tendências em transporte e deslocamento urbano, que acontece nesta quinta-feira em São Paulo. O evento deste ano contará com a participação do prefeito de São Paulo, Bruno Covas, além de especialistas no setor.

Pouco antes de embarcar para o Brasil para fazer sua apresentação no Summit, Papandreou conversou com a reportagem sobre algumas das questões mais pertinentes da mobilidade urbana. Confira a seguir:

Como diretor de inovação da agência de transportes de San Francisco, um de seus objetivos era melhorar a experiência dos usuários. O que foi feito de fato?

Perguntamos aos usuários como era sua rotina diária e como poderíamos melhorá-la no curto prazo. Isso não é típico de governos, que sempre pensam no longo prazo. Destacamos medidas rápidas e baratas, e que poderiam surtir grandes efeitos: faixas de pedestres mais seguras, mais ciclovias e gestão de estacionamentos. Testamos como acelerar o transporte público, desde as faixas de ônibus exclusivas a pagamento via celular. Exploramos compartilhamento de carros, bicicletas e patinetes. Queríamos melhorias visíveis em semanas e meses, em vez de anos. As informações coletadas foram inseridas em projetos maiores, de longo prazo.

Quando se trata de veículos autônomos, os individuais devem ser adotados antes ou depois do transporte de massa?

Acho que a primeira geração será particular, porque é mais gerenciável em termos de tecnologia e segurança. Mas já temos ônibus de baixa velocidade em serviços piloto. São menores e atuam como transporte público. Precisamos redefinir o que é o trânsito público e privado, já que ele não será mais baseado em sua aparência, mas em como funcionam. 

 

As cidades gastaram muito tempo e dinheiro construindo ruas para carros, enquanto temos calçadas estreitas e ciclovias ruins. Como redesenhar esses espaços?

Se você se preocupa com o futuro das cidades diante da crise climática, da saúde e do bem-estar dos cidadãos, então é preciso espaço para o movimento de pessoas, em vez do movimento de carros. Os carros precisam de dezesseis vezes mais espaço por pessoa do que uma pessoa caminhando e oito vezes mais espaço do que uma pessoa andando de bicicleta. A maioria das viagens são curtas e poderiam ser feitas com equipamento de micromobilidade. Agora, se os ciclistas não se sentirem seguros, especialmente à noite, eles não vão andar. Esta é uma grande questão de equidade de gênero. 

A prefeitura de São Paulo tornou obrigatória a utilização de capacetes por usuários de patinetes elétricos, entre outras medidas e sanções. Especialistas argumentam que, na economia compartilhada, muita regulamentação pode matar a inovação. Você concorda?

Não posso falar sobre São Paulo, mas digo que as cidades precisam ter cuidado para garantir que estão tratando todo o sistema de transporte de maneira justa, sem escolher vencedores e perdedores. Muita regulamentação pode, sim, matar novas e promissoras maneiras de se locomover. Temos que dar um passo atrás e perguntar se o nosso sistema de transporte está funcionando corretamente. Quais são as desigualdades atuais que estamos apoiando? E quais as alternativas quando o viário é priorizado por carros? 

Essa polêmica é representativa do momento de outras cidades?

Há muita reação acontecendo a partir deste pequeno dispositivo elétrico. O patinete atingiu um nervo na maioria das cidades ao forçar a conversa sobre como nos tornamos tão insensíveis para deixar as pessoas escolherem andar, pedalar ou usar o transporte público. Agora é hora de parar de reagir e apontar o dedo para as novas empresas de mobilidade e começar um diálogo de colaboração. As cidades precisam aplicar suas metas em todos os modais, não apenas nos novos. 

Serviço

Summit Mobilidade 2019 

Dia 30 de maio, das 8h às 16h30

Na Casa das Caldeiras (Avenida Francisco Matarazzo, 2.000, Água Branca, São Paulo). 

Mais informações em https://estadaosummitmobilidade.com.br/

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