Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

'Cidades têm o poder de criar oportunidades', diz professor da USP

Participantes de painel no evento 'Estadão Summit Brasil - O que é Poder?' apontam que a busca por soluções para os conflitos urbanos pode reduzir desequilíbrios socioeconômicos

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2019 | 13h30

SÃO PAULO - As cidades são cenários de desencontros e que geram deseconomias, mas a busca por soluções para os conflitos urbanos pode gerar renda e reduzir desequilíbrios econômicos e sociais. E as inovações tecnológicas mais recentes se colocam como meio de aceleração nessa criação de riqueza. Essa foi a linha que conduziu o debate O Poder de Transformação das Cidades, realizado no evento Estadão Summit Brasil - O que é Poder?, que ocorre nesta quarta-feira, 30, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera.

No palco, o professor titular da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Miguel Bucalem apontou a cidade como o palco onde os desequilíbrios econômicos se manifestam: "Assistência social precária, dificuldades de infraestrutura". Mas ações adotadas pelas autoridades podem valorizar os ativos públicos, gerando mais receita para as cidades melhorarem as infraestruturas urbanas.

"As operações urbanas, as PPPs (parcerias público-privadas), são exemplo", disse.

Bucalem defende que, em um curto prazo, sociedade civil e poder público tracem ações voltadas não só para melhorar a infraestrutura e o uso do solo, mas também "o desenvolvimento social e o meio ambiente".

"As cidades têm poder de criar oportunidades", afirmou o professor da USP.

O debate contou também com o Philip Yang, do Instituto Urbem, organização voltada à discussão de questões urbanas. Para ele, as cidades são os polos do poder do século 21.

"São os palcos do poder político, das manifestações que atingem nosso futuro", declarou.

Ele disse, ainda na linha de Bucalem, que os diversos conflitos de poder que estão nas cidades acabam por limitar o potencial de desenvolvimento delas. Nessa linha, defendeu que o Brasil tivesse ainda mais municípios constituídos, exemplificando que, nos Estados Unidos, são cerca de 90 mil cidades e, na França, país muito menor, cerca de 30 mil.

"Mas não têm tantos vereadores", ponderou Yang.

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
(As cidades) São os palcos do poder político, das manifestações que atingem nosso futuro
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Philip Yang, do Instituto Urbem

O evento também teve a participação de Paulo Dallari, líder de relações institucionais da empresa brasileira de mobilidade 99.

Dallari destacou que as facilidades trazidas pelas companhias desse ramo têm facilitado o acesso das pessoas mais afastadas à cidade e citou uma vantagem disso: no carro, a pessoa está na sua bolha. Se usa o transporte público, caminha ou usa aplicativo, por exemplo, vive mais a cidade.

"Para o bem ou para o mal", disse o represante da 99, apontando que, quando está sabendo dos problemas urbanos, como calçadas ruins e transporte público problemático, a sociedade demanda melhorias para o poder público. 

O debate foi mediado pela jornalista Mariana Barros. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.