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Família é encontrada morta em hotel de Florianópolis

Quatro vítimas eram das mesma família e teriam sido amarradas em quartos e asfixiadas até a morte; crime ocorreu em Canasvieiras

Marcone Tavella, Especial para o Estado

06 Julho 2018 | 07h53
Atualizado 06 Julho 2018 | 22h49

FLORIANÓPOLIS -Cinco pessoas, quatro de uma mesma família, foram encontradas mortas no apart-hotel Venice Beach Residence, em Canasvieiras, no norte de Florianópolis. O pai e os três filhos foram encontrados em cômodos separados, virados de barriga para baixo, com pés, pescoços e mãos amarrados. Havia pichações no local, remetendo à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), mas a polícia trabalha com a hipótese de que isso seria apenas uma forma de os assassinos confundirem as investigações.

Proprietário do hotel, Paulo Gaspar Lemos, de 78 anos, morava em Florianópolis há dez anos. De acordo com testemunhas, ele possuía uma mansão na Avenida dos Búzios, em Jurerê Internacional, um salão de eventos que estava à venda por R$ 60 milhões e o Venice, na divisa entre os bairros Canasvieiras e Jurerê. A vítima também teria, segundo conhecidos, uma coleção de mais de cem carros antigos.

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Paulista, ele já teria sido proprietário de uma revenda de carros que faliu na capital paulista. Segundo depoimentos iniciais, o motivo de sua mudança para Santa Catarina foi o sequestro traumático do filho Paulo Júnior, de 51 anos, deficiente mental – outra das vítimas. Katya, de 50 anos, a filha do meio, era sempre vista passeando com seus dois cachorros da raça Shi Tzu. Já o filho Leandro, de 44, era conhecido como Magal, e tinha um temperamento festeiro.

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A quinta vítima é o gerente Ricardo Lora, de 39 anos, encontrado no subsolo do hotel. Ele trabalhava para a família havia nove meses. Quem chamou a polícia foi uma funcionária. Perto da meia-noite, ela foi levar as chaves para o proprietário, abriu a porta do hotel, percebeu a movimentação de pelo menos três criminosos armados e fugiu. Achou, no momento, que fosse um assalto. 

O delegado Ênio Matos, titular da Homicídios, disse que ela ainda não foi ouvida pois está em choque. Havia informações não oficiais de que a quadrilha teria chegado ao local por volta das 16 horas e ali ficado até de madrugada. Nenhuma das vítimas tinha passagem policial por ocorrência grave.

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Vizinhos e amigos da família acompanhavam o trabalho da polícia ontem. Muitos choravam na frente do hotel. A vizinhança não acredita que o crime tenha ligação com o tráfico de drogas, embora inicialmente a polícia estudasse algum tipo de “revanche” ou “acerto de contas”, e insistia que a família era boa e pacífica.

Cena do crime

Segundo a Polícia Militar, na hora da descoberta dos corpos havia no local um cheiro forte de gasolina. Não foi encontrado nenhum sinal de disparo de tiro. De acordo com o Instituto Geral de Pericias, a provável causa das mortes é asfixia. Até o fim da tarde, não foi verificado roubo de nenhum objeto nem das carteiras das vítimas. Ainda não há suspeitos, mas imagens de câmeras do estabelecimento e da vizinhança foram recolhidas. A delegada Salete Mariano, presidirá o inquérito, mas não falará com a imprensa para não atrapalhar as investigações. 

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