Cinco crianças morrem em UTI de hospital em Manaus

Cinco crianças morreram entre a noite de segunda-feira, 7, e a madrugada desta terça-feira, 8, em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) do Pronto-Socorro Infantil Zona Sul, o maior de Manaus, com atendimento diário de cerca de 250 crianças. Quatro delas morreram horas depois de uma suposta pane no sistema de oxigênio das UTIs.A suposta pane teria sido informada por parentes dos mortos e funcionários ao conselheiro tutelar da Zona Sul de Manaus, Vanderlan Pinheiro. "A denúncia anônima sobre a pane foi de um funcionário que não pode se identificar por medo de represálias", afirmou Vanderlan.O conselheiro tutelar destacou que na terça-feira, 9, deve entrar com representações no Juizado de Menores e no Ministério Público Estadual (MPE) para que sejam apuradas as causas das mortes. "Ele (o funcionário do hospital) contou que foi um corre-corre desesperado na madrugada de médicos e enfermeiros por conta da pane."A diretora do hospital, Luzimeire Vilhena, afirmou que foi acionado um alarme automático detectando uma "queda" no sistema de oxigênio das duas UTIs, a "Sorriso" e a "Vitória", por volta das 2 horas da madrugada de hoje, 8. "Foi por questão de segundos e não foi afetado em nada o atendimento às crianças internadas na UTI. As mortes das crianças foram uma coincidência infeliz, já que elas não eram as únicas internadas: há outras 14 divididas nas duas UTIs desde antes destas mortes", afirmou.Segundo Luzimeire, os funcionários da empresa que mantém o sistema dos gases, a White Martins, já deram um relatório extra-oficial de que o problema não prejudicou em nada o fornecimento do oxigênio. Um laudo técnico oficial da empresa estava sendo aguardado pelo hospital até o final da tarde de hoje (8).Segundo a assessoria da Secretaria Estadual de Saúde (Susam) as cinco crianças que morreram foram Andrei Farias Bentes, de 5 meses, às 20h45minutos de segunda-feira, de pneumonia, falência múltipla de órgãos e insuficiência renal. A segunda foi Edinaldo Lopes Campos, de 8 meses, às 3 horas da madrugada desta terça-feira, de cardiopatia congênita, pneumonia, choque séptico e acistolia.A terceira criança morta foi Izan Muraiari Salvador, de 5 anos, às 3h20 minutos de hoje, de endocardite infecciosa, miocardiopatia, falência múltipla de órgãos e leucemia linfóide aguda. A quarta foi Paulo César Brito, de 3 anos, de síndrome de Werning-Hoffman, septicemia e falência múltipla de órgãos. A quinta foi Rodrigo de Almeida Araújo, de 5 anos, às 8h55 minutos de hoje, de apendicite, septicemia e pneumonia.O avô de Rodrigo, Francisco Pedro Amaral, de 5 anos, afirmou estar revoltado com a falta de informações "aceitáveis" sobre a causa de morte de seu neto. "Ele foi internado no sábado, com uma febre, só com uma febre, não tinha pneumonia, nenhuma tosse".Na segunda-feira, segundo Amaral, um médico diagnosticou uma apendicite. "Operaram o garoto às 11 horas de ontem (7) e de tarde ele estava bem, acordado da cirurgia, pedindo para voltar para casa. Hoje, viemos visitá-lo cedo e nos disseram que ele tinha falecido, não faz sentido", disse.

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