Cinco pessoas são mantidas reféns por presos em Salvador

Presos ateiam fogo em colchões após tentativa frustrada de fuga na capital baiana

Tiago Décimo, do Estadão,

30 Julho 2007 | 09h05

Três agentes penitenciários e dois presos - considerados como de boa conduta - são mantidos reféns desde o meio-dia de domingo, no Presídio Salvador, no Complexo Penitenciário da Bahia, onde 719 detentos estão rebelados.   Outros dois presos, baleados no início da rebelião, continuavam internados no Hospital Roberto Santos na noite desta segunda-feira. As negociações para o fim do motim foram encerradas no fim da tarde e devem ser retomadas na manhã de terça-feira.   De acordo com o superintendente de Assuntos Penais da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos da Bahia, Francisco Leite, a rebelião teve início após uma tentativa frustrada de fuga em massa, durante o horário de visita de familiares.   Segundo os parentes de presos que estiveram no local, porém, o motivo do motim é a reivindicação de que 51 presos, transferidos para a Unidade Especial Disciplinar (UED) do complexo - na qual os detentos perdem direitos como visitas e banhos de sol -, sejam encaminhados de volta ao Presídio Salvador.   De acordo com eles, os detentos foram levados à UED depois da fuga de Eberson Souza Santos, conhecido como Piti, de 27 anos, do complexo, em 26 de junho. Eles deveriam ser transferidos de volta depois de 30 dias. Piti é apontado pela polícia como um dos principais traficantes de drogas da Bahia.   Cerca de 150 familiares de presos estão dentro da unidade desde a manhã de domingo e se recusam a sair. Portando cartazes de protesto, eles dizem que aguardam que a reivindicação dos detentos seja atendida, segundo os policiais que trabalham no local.   Do lado de fora, outros parentes acompanharam, durante todo o dia, as negociações dos representantes da Secretaria da Justiça e do Ministério Público com os amotinados. Foi o caso da dona de casa Nilza Santos, de 53 anos, que levou a neta à porta do complexo penitenciário. "Minha filha veio visitar o marido dela ontem (domingo) e não voltou mais para casa", afirma.   De acordo com ela, porém, a filha, com quem falou por telefone celular durante todo o dia, está bem. "Ela e os outros não estão como reféns, mas não é por isso que vou deixar de ficar preocupada."   Fuga   Em outra unidade prisional da capital baiana, carceragem da Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Dercca), no bairro de Brotas, em Salvador, 14 dos 32 detentos fugiram, na madrugada desta segunda-feira.   Para sair, os presos cavaram um buraco no chão de terra da chamada área livre da carceragem e acessaram a tubulação do esgoto que passa por ali. Ainda não há informações sobre o paradeiro dos fugitivos. A carceragem da Dercca tem capacidade para 12 presos.   Texto ampliado às 20h02 para acréscimo de informações

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