Cinco presos morrem em onda de rebeliões em presídios no Ceará

Para secretário, agentes carcerários são responsáveis pelas vidas perdidas por prosseguirem com greve considerada ilegal pela Justiça; a paralisação impediu visitas aos presos e gerou tumulto

Carmen Pompeu, O Estado de S. Paulo

22 Maio 2016 | 17h41

FORTALEZA  - A onda de rebeliões registrada no sábado, 21, em seis unidades prisionais cearenses deixou pelo menos cinco mortos, além de feridos e danos à estrutura dos presídios. A revolta começou pela manhã, quando familiares foram impedidos de visitar os presos. Alegando falta de segurança devido à greve dos agentes penitenciários, a direção das unidades suspendeu as visitas. A proibição desencadeou uma série de protestos.

Do lado de fora, as mulheres dos presidiários bloquearam as duas pistas da BR-116, no trecho próximo ao Complexo Penal em Itaitinga, e a via próxima ao Presídio Carrapicho (Unidade Prisional Desembargador Adalberto de Oliveira Barros Leal), em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza. Dentro das Casas de Privação Provisória de Liberdade (CPPLs) I, II, III e IV, os detentos se rebelaram, ateando fogos em colchões, quebrando equipamentos e brigando entre si.

A desordem também afetou o presídio feminino (Instituto Penal Desembargadora Auri Moura Costa), em Aquiraz. As cenas de violência foram filmadas e compartilhadas nas redes sociais pelos próprios presos. Fotos de dois mortos nas CPPLs foram espalhadas pelo WhatsApp. Uma das fotos mostra um corpo carbonizado. E a outra, de um homem bastante ensanguentado.

O balanço do prejuízo ainda está sendo calculado, neste domingo, 22, pela Secretaria de Justiça e Cidadania do Ceará (Sejus-CE). Fontes ligadas à Perícia Forense informaram que as rebeliões resultaram em, pelo menos, oito mortos. A Sejus confirmou cinco mortes. Dois corpos foram retirados, no sábado, do Complexo de Itaitinga, e outros três neste domingo, do Presídio Carrapicho.

A revolta só parou no início da noite de sábado depois que os agentes penitenciários aceitaram a contraproposta feita pelo governo cearense de reajuste de 100% da gratificação por atividade de risco, que será feita de forma escalonada até 2018. Com o acordo, a greve foi suspensa e as visitas liberadas neste domingo nas unidades onde não aconteceu tumulto.

Apreensivos, familiares de detentos aguardavam informações do lado de fora do Complexo Penitenciário Estadual de Itaitinga nesta manhã. A dona de casa Célia Alves queria saber a situação de seu filho. "Meu filho estava doente. Ninguém fala como está lá dentro. A gente nem sabe quem morreu", disse. 

O Ministério Público Estadual do Ceará informou que vai abrir investigação para apurar as responsabilidades pelos atos. Para o titular da Sejus-CE, Hélio Leitão, os responsáveis pelos danos, tanto de vidas como os causados ao patrimônio público, são os agentes penitenciários, que deram prosseguimento à greve mesmo após ela ser considerada ilegal pela Justiça. De acordo com ele, em nenhum momento o Estado se negou a negociar com os agentes. "O processo de negociação estava em franco curso e decretaram o estado de greve mesmo assim", queixou-se Leitão.

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